Testículos Pensantis


16/05/2004


Pensando Alto

- Gostava mais da carne assada da Sara. - murmurou Ney.
- O que você disse ?
- Nada, estava apenas pensando.
Ney não conseguia perder o hábito de pensar alto. Sempre que se distraia e acabava murmurando aquilo que estava pensando. Seu casamento acabou por causa disto. Estava no sofá assistindo um filme. Sua mulher, Sara, deitada com a cabeça  em seu colo, comentou que a bunda da Carmen era caída, ele concordou . Depois de alguns minutos ele murmurou : "Se sua bunda fosse como a da Carmen eu seria o homem mais feliz do mundo".  Ela ouviu. Ele tentou disfarçar mas não adiantou, ela já conhecia o hábito dele e por muitas vezes o tinha perdoado, mas aquilo era demais! Achar que a bunda caída da Carmen era melhor que a dela foi o fim. O pior de tudo é que a Sara, apesar de ter ido embora de casa, não saia de seus pensamentos.
Desta vez estava na casa de Carmen, ela o convidou para jantar, serviu carne assada e ele mal sentara para comer já estava falando o que não devia.
- Sabe Carmen, sempre achei você uma mulher muito atraente.
- Por que nunca falou nada ?
- Você é a melhor amiga de Sara. Se eu chegasse para você e falasse que te achava atraente, o que você faria ?
- A mesma coisa que vou fazer agora. - Ela se aproximou de Ney e deu um beijo em sua boca.
Foram para o quarto. Tiraram a roupa. Transaram. Carmen levantou foi ao banheiro. Ney prestou atenção no corpo de Carmen. Ela voltou para cama e ficou abraçada carinhosamente com ele. De repente Ney murmura : " Sara tinha razão, a bunda da Carmen é mesmo caída".
- O que a Sara falou de minha bunda ?
- Nada, eu estava só pensando alto.
- Bem, que a Sara falava que seu maior defeito era pensar alto.
Carmen pega o telefone.
- Olha aqui sua filha da puta,  bunda caída tem a vaca da tua mãe...
- Quem está falando ? - pergunta Sara do outro lado da linha.
- Sou eu, a Carmen. O teu marido me contou tudo.
- Contou o que ?
- Contou não é bem a palavra. Sabe aquela mania que você disse que ele tinha, a de pensar alto ? Pois bem fui pelada para o banheiro e quando voltei o babaca falou que você tinha razão sobre a minha bunda.
- O que o Ney está fazendo na tua casa ? E por que você está pelada ?
- Será que você é idiota ? Eu estou pelada porque acabamos de transar...
- E o Ney achou que eu tinha razão sobre a tua bunda ?
- É...
- Posso falar com ele ?
- Ney a vaca da tua mulher quer falar com você...
- Não fale assim da Sara. - disse Ney pegando o telefone.
- Ney o que você achou da bunda da Carmen.
- Achei que você tem razão.
- Razão no que ?
- Você sabe, não quero repetir...
- Você achou a bunda dela caída ?
- Sim...
- Me diz agora, qual bunda é mais bonita, a minha ou a dela ?
- Sem duvida a sua. Você me perdoa ?
- Claro que sim. Vou voltar para casa hoje mesmo.
Ney levanta, se veste olha para Carmen e se despede. Carmen não responde.
Ney volta para casa e espera a chegada de Sara. Sara chega, entra, e vai logo falando :
- O que fez você pensar que a bunda da Carmen era melhor que a minha ?
- Acho que foram as calças que ela costuma usar, aquelas calças jeans justinhas. Mas aprendi uma lição, assim como não podemos julgar um livro pela capa, não podemos julgar uma bunda pela calça jeans que a mulher usa.
- Gostei...Vamos para a cama ?
No caminho do quarto Ney murmura : " Será que aquento dar quatro num dia ? "
- Quatro num dia ? Quer dizer que você deu três com aquela vaca ? Comigo você  mal aquenta dar duas e já pega no sono.
- Calma amor, fiz de conta que estava pensando alto, foi apenas uma brincadeira.
Foram para o quarto e transaram. Sara deita a cabeça no peito de Ney. Ney relaxa e murmura: "Puxa...quatro num dia, não pensei que conseguia."  Olha apavorado para Sara, ela está dormindo. Ney dá graças a Deus e também adormece.

 

 

Escrito por Escrito por Zanni às 18h18
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02/05/2004


Ficando

Paula acordou cedo. Tinha conseguido um bico, finalmente ia ganhar algum dinheiro. Começou seu ritual matinal : Escolheu a roupa, tomou banho, desembaraçou o cabelo, comeu meio pãozinho, um copo de leite desnatado – estava de regime – pegou sua bolsa e foi para a casa de sua amiga Gislaine. Gislaine esperava Paula no portão, segurava uma sacola amarela.. Também estava ansiosa. Pegaram um ônibus, desceram na Avenida Paulista. Abriram a sacola amarela, tiraram de dentro uma grande camiseta. Era uma camiseta diferente, não só pelo tamanho, nela havia quatro perfurações : Duas para mangas e duas para cabeças. Paula vestiu a camiseta , encaixou seu braço e sua cabeça nas perfurações da direita. Gislaine se encaixou nas perfurações da esquerda. Vestidas assim pareciam irmãs siamesas. Na camiseta estava escrito “ PT – MAIS EMPREGOS PARA VOCÊ”.
- Estudamos que nem umas vacas, passamos meses fazendo aquela bosta de monografia, e olha só que maravilha de emprego que conseguimos. – disse Paula.
- Isto não é emprego é só um bico. Tenho certeza que em breve conseguiremos um emprego de verdade.
- Não acho que vai ser tão fácil. A coisa está cada vez pior. Enquanto conversavam iam andando pela Paulista. Eram olhadas com curiosidade pelas pessoas que passavam. Estavam caminhando no sentido da Consolação para a Brigadeiro Luiz Antônio.
- O pior é ter que fazer propaganda desta bosta deste partido. Além de fazer o papel de palhaça, ainda tenho que fazer de conta que acredito que o PT está trabalhando para aumentar a quantidade de empregos no país. – reclamou Paula, mal humorada.
- E não está ?
- Claro que não. Você não viu a quantidade de gente que ficou desempregada por causa do fechamento dos bingos ? Trezentas mil.
- Mas os bingos são ilegais. Tinham que ser fechados mesmo.
- São ilegais, mas sempre funcionaram. Só foram fechados quando descobriram que os integrantes do PT estavam lucrando com os mesmos.
- Isto não foi provado.
- Não foi e nem vai. Eles fecharam os Bingos para que as pessoas esquecessem o caso. Estão pouco se fodendo para os trezentos mil desempregados. O pior é que destes trezentos mil, pelo menos 80 % sustentavam famílias. Acho que com esta medida quase um milhão de pessoas foram prejudicadas. Nesta camiseta deveria estar escrito: PT – MENOS EMPREGO PARA VOCÊ.
- Nisto você está certa. Não entendo por que ele não legalizam os Bingos. Era só cobrar um bom imposto sobre os funcionamento deles. Isto faria com que o governo arrecadasse mais e parasse com está idéias de aumentar contribuição de INSS e de inventar novas taxas.
- Para mim, o motivo está óbvio. Se os bingos fossem legalizados, as taxas seriam recolhidas para o governo, o dinheiro iria para a Receita Federal. É muito melhor manter a ilegalidade, pois assim a propina que é paga para manter o funcionamento dos mesmos vai para o bolso de alguns poucos.
- Mas você não tem certeza disto.
- Claro que não. Mas é a impressão que eu, Paula, uma jovem recém formada e desempregada, tem de tudo que está acontecendo. E além do mais o PT nunca foi um partido de trabalhadores e sim um partido de sindicalistas. O pessoal de sindicato não está acostumado a trabalhar e sim a fazer acordos, e destes acordos uma boa percentagem vai para o bolso deles. O que é isto ? – Paula passa a mão na cabeça, algo melado escorrendo entre seus dedos. – Ovo !!! - olhou assustada para trás. – Gislaine, estão atirando ovos na gente !
- Já percebi.
Paula olhou para Gislaine. Ela também estava com o cabelo melado.
- Vamos tirar está camiseta e ir embora daqui antes que coisa pior aconteça.
Paula foi para a casa de Gislaine. As duas estavam muito nervosas. Choravam muito. Tomaram um banho.
Alugaram um filme e passaram a tarde juntas. A noite Paula foi para casa. Chegando em casa Paula ainda não estava se sentindo bem. Tentou ligar para o celular de Rubens. Ela já conhecia Rubens há algum tempo. Ficavam de vez em quando. Como ela gostava dele, não saia com outros caras. No fundo considerava ele uma espécie de namorado. O celular chamava mas ninguém atendia. Deixou recado na caixa postal, mandou mensagens mas nenhuma resposta dele. Resolveu sair sozinha. Foi para um barzinho que Rubens costumava freqüentar. No dia seguinte encontrou Gislaine.
- Gislaine, ontem eu não estava muito bem. Sai, queria encontrar o Rubens.
- Encontrou ?
- Sim, mas ele estava acompanhado. Fui para outro lugar e conheci um carinha. Acabei a noite na cama dele.
- Foi bom ?
- Eu topei ir com ele não para fazer desaforo para o Rubens, eu queria me sentir desejada por alguém. Queria ser acariciada, beijada, amada.
- Foi bom ? – insistiu Gislaine.
- No começo foi mas depois foi ficando estranho. Eu queria estar com o Rubens e não com ele. Tentei sentir prazer mas não conseguia. Estava sem lubrificação, o pênis dele me machucava, ele não gozava nunca. Para ver se ele gozava mais depressa, comecei a fingir, gemi, dei gritinhos, falei palavrões mas mesmo assim demorou prá cacete pro cara gozar. Minha buceta tá ardendo
até agora.
- Paula, você tem uma boca tão suja. Parece até homem falando.
- Foda-se. A boca é minha e falo do jeito que quero. O foda é que o Rubens não me dá atenção. Não nasci para ficar com um, com outro. Quero um namorado. Alguém que me paparique, que me ligue, que se importe comigo. Não sei quem inventou esta droga de “ficar”. É impossível fazer amor com um “ficante”. No máximo dá para dar uma trepada e isto não me satisfaz. Preciso de amor e não de sexo, ou melhor, preciso de sexo com amor e carinho. Não quero passar a noite com um cara só para ver o pinto dele entrando e saindo de minha buceta. Isto não tem a mínima graça.
- Sabe, não me importo muito com isto e é melhor você ir se acostumando com isto também. A vida agora é assim. Relacionamentos são muito complicados. É mais prático desta maneira. Sexo sem compromisso. Sair, gozar e voltar para casa aliviada.
- Nem parece que você está falando de sexo, parece que você está falando em ir no banheiro dar uma cagada.
- No fundo é tudo a mesma coisa. Apenas a satisfação de necessidades básicas.
- Olha, você pode falar o que quiser mas para mim este negócio de “ficar” é apenas uma ilusão. Você sai com alguém, acaba se iludindo e no dia seguinte descobre que continua sozinho.
- Cada um vive a vida da sua maneira. Você pensa muito, por isto que sofre. Quando em Roma aja como os romanos, e hoje em dia os romanos apenas “ficam”. Ou você se contenta com isto ou arranja um quarentão para você. Os velhos é que pensam deste jeito. Você está muito velha para a sua idade.Bom, já discutimos muito, tenho que ir.
- Tudo bem, depois conversamos. Vai com Deus.
- Tchau.

Escrito por Escrito por Zanni às 17h42
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