Testículos Pensantis


23/04/2006


O Coveiro

Na sombra lúgubre da sepultura fria,

Um homem cava o solo úmido.

Na face pálida o suor escorre.

Dos braços fortes, a pá é amante,

Juntos passam dia e noite,

Construindo frios jazigos,

pesadelos para os vivos,

Para os mortos eterno abrigo .

 

O vento sopra a garoa fina,

Uma voz alegre uma canção entoa.

Suado, o coveiro pára e pergunta :

Quem és tu que cantas sorrindo ?

 

Um homem rico - o estranho responde-

Sou dono do túmulo que vês adiante.

 

Não te perguntei se és rico ou pobre,

Perguntei teu nome não falei de riqueza.

Como pode ser dono do túmulo que apontas,

Se o dono do túmulo nele se encontra ?

 

Nobre coveiro minha história é longa,

Mas, posso contá-la se isto te agrada.

 

Pois conte logo ! - roga o coveiro.

Nesta tarde fria em que o tempo está morto,

Uma boa narrativa o despertará de novo.

 

Pense bem amigo falante, se acordarmos

O tempo que dorme tranqüilo, mais

Breve chegarás ao teu incerto destino.

 

Pois então, que o tempo acorde,

Que passe correndo e a noite chegue !

Uma cama gostosa, uma esposa quente,

É o meu destino no dia de hoje.

 

Enquanto narro meu infortúnio,

Enquanto conto minha história,

Afunde bem essa tua cova,

Em breve chega o inquilino,

A tumba pronta deve estar.

 

Contas logo a tua história,

Deixas comigo esta cova,

Antes da noite eu a termino,

Só amanhã será ocupada.

Escrito por Zanni às 17h22
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Cont...

Escutas então, mas não me julgues,

Não interrompas a narrativa.

Nasci pobre e mal fadado,

Não era rica minha família.

Fui trabalhar muito cedo,

e muito cedo percebi, que

sendo pobre, humilde, honesto,

tendo mulher e fé em Cristo,

Para sempre seria escravo,

Não seria dono só empregado.

E assim sendo então decidi,

sem pensar em Deus ou no Diabo,

que meu destino me pertencia,

um rico homem um dia seria.

E não medindo meios para isto,

sem pensar no certo ou errado,

fui ladrão, cafetão, deputado,

E no dia que minha vida deixei,

a este velho cemitério cheguei,

não cheguei pobre e miserável,

não era mais um pobre coitado.

Como podes ver com teus olhos,

o meu túmulo é magnifico,

dos mortos aqui enterrados,

com certeza sou o mais rico.

 

Então é verdade, já desconfiava,

tu não és vivo és um fantasma.

Mas, o que ganhastes com tanta maldade,

Se para o túmulo nada levastes ?

Enquanto me contas o teu passado...

falas sobre o que fizestes de errado,

Um herdeiro vivo e sorridente,

gasta teu dinheiro inutilmente.

 

Você nem imagina o quanto te enganas.

Abaixo do caixão que meu corpo repousa,

Toda a fortuna que tive em vida,

Transformada em ouro está escondida.

E não acredites, nem por um momento,

que do meu dinheiro não fiz proveito.

Aproveitei a vida de todas as formas,

Amante incansável, no sexo libertino

Homens e mulheres tive na cama.

 

Se minha vida fosse como foi a tua,

não teria orgulho e sim vergonha,

ladrão, cafetão, deputado, viado,

nada de bom tens no teu passado.

Escrito por Zanni às 17h22
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Cont...

 

Cala a boca ignorante !

Não julgues o que não entende,

Sou rico e tu és pobre,

Somos muito diferentes!

A moral que infligem aos pobres,

Aos ricos não se aplica.

O poder que o dinheiro compra,

Um pobre nem imagina,

Mas, do que adianta explicar,

perco meu tempo com isto,

Serás pobre para sempre,

não saberás o que é ser rico.

 

Ah, nobre fantasma,

eu sou pobre tu és tolo,

Sou honesto, mas não bobo.

O que não faria com um vivo,

Com prazer farei com um morto.

 

O que pretende meu amigo,

Com esta pá e picareta ?

 

Não me chames de amigo,

não sou amigo do capeta,

Tu és um ladrão safado,

Explorastes a pobreza.

O que vou fazer contigo,

já fizestes com muita gente,

vou violar teu abrigo,

vou roubar os teus pertences.

 

E sob o luar lúgubre da madrugada fria,

Um homem viola um nobre túmulo,

A face pálida um sorriso ilumina,

Os braços fortes, destroem paredes.

A cada pedra que bate e derruba,

Um fantasma louco geme e grita,

Não lamenta os erros de sua vida,

Lamenta sim, a fortuna perdida.

 

Trinta anos se passaram,

E num cemitério conhecido,

A chuva lava túmulos antigos.

Uma voz triste uma canção entoa.

De dentro da cova o morto grita :

Quem és tu que por mim choras ?

Escrito por Zanni às 17h21
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fim...

Não choro por ti, apenas canto,

Uma Antiga cantina de acalanto,

antiga cantiga, triste e mágica,

que para mim, minha mãe cantava.

Mas, eis que o bom filho a cova torna !

Não és mais coveiro, agora és defunto.

Levantes daí, saia do túmulo,

Conta para mim a tua estória,

Em tempos passados te contei a minha,

Mas conta devagar, bem lentamente,

Pois a eternidade temos a nossa frente.

 

Do fundo da cova, o coveiro levanta,

Gordo, deformado, pela morte maltratado.

Reconhece o fantasma, que um dia roubara.

No inicio confuso, agora entende,

Que juntos ficariam eternamente.

 

E aqui termina esta narrativa,

E como tudo na vida em morte acaba.

E para encerrar só a moral falta:

O certo e o errado não existe,

Depois de morto não há diferença,

Bons e maus tem a mesma sentença,

Num frio cemitério para sempre convivem,

Vizinhos em lápides próximas e distantes,

Eternos amigos as vezes amantes.

Escrito por Zanni às 17h20
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27/02/2006


Aprendendo a pensar ( parte II - Argumentação )

- Pai, o cara aqui da comunidade falou que tem um gato branco debaixo da mesa, sempre ninguém está olhando...
- Que comunidade ?
- A de filosofia...
- Aí filho, já falei para vc sair desta comunidade...E o que vc respondeu ?
- Mandei ele se foder...a gente nem gato tem.
- Filho, não é assim que se faz, para discutir uma coisa precisamos argumentar.
- Pai, o senhor sempre fala em argumentar. O que é isto ?
- Argumentar é raciocinar para chegar a uma conclusão.
- Qualquer conclusão ? E se a conclusão for errada ?
- Lembra que eu falei que tudo pode ser provado se a argumentação for boa ?
- Lembro... mas, mesmo assim, não temos gato.
- O argumento usado para justificar a frase do gato é simples filho : Se não estamos olhando para um lugar, não temos como saber o que acontece lá, então é possível que, quando ninguém está olhando para debaixo da mesa, exista um gato lá.
- Pai, e o que eu falo para o cara da comunidade ?
- Deixa eu pensar....já sei, manda ele fazer o teste da sardinha.
- Teste da sardinha ?
- Sim, manda o cara colocar uma sardinha debaixo da mesa e fala para ele o seguinte : Todo gato gosta de sardinha. Um gato branco é um gato, logo um gato branco gosta de sardinha. Pede para ele ver se a sardinha some quando ninguém está para debaixo da mesa. Se não sumir é porque o gato não esteve lá.
- Pai, mas se a gente não tem gato, precisa fazer o teste ?
- Filho isto é apenas um argumento para provar que a proposição dele está errada.
- Ah pai...entendi...
- Agora deixa eu ler meu jornal....
- Pai...
- Que é filho ?
- Falei, pro cara, aquilo que o senhor me mandou falar...
- E o que ele falou ?
- Ele mandou eu me foder....

Escrito por Escrito por Zanni às 10h01
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Aprendendo a pensar ( parte I )

- Pai...
- Que é, filho ?
- O cara aqui da comunidade disse que 1 mais 1 só é igual a 2 na geometria Euclidiana. O que é isto ?
- Aí , filho !!! Vc está de novo na comunidade de filosofia ? Por que vc não vai jogar bola, liga o video game. Sei lá ! Faz alguma coisa de útil !
- Ah pai, me explica...
- Bem filho, o pessoal confunde 1 mais 1, com 1 OR 1, 1 OR 1 se escreve da mesma forma que 1 + 1, mas se lê diferente. Então, nesta droga de comunidade, se vc não explicar direitinho, nos mínimos detalhes o que vc quer dizer, eles vão ficar te questionando. Nunca dê como exemplo 1 + 1, use 2 + 2 e fale que vc está fazendo a operação na base 10.
- Pai, não entendi nada...
- Filho, deixa prá lá.
- Mas pai, eu quero aprender.
- Sabe filho, para discutir filosofia vc tem que entender o seguinte, tudo pode ser provado se a argumentação for boa.
- Mas pai, o errado pode estar certo ?
- Vc assistiu Bonnie e Clyde ?
- Sim...
- Eles eram bandidos, mas durante todo o filem a gente torce por eles. E torcemos porque acompanhamos a história deles deste o começo. Acabamos simpatizando com os motivos que os levaram ao crime, enfim achamos que o errado é o certo e torcemos para que o errado vença.
- Pai, tinha filosofo bandido ?
- Não filho, os filósofos não são bandidos, mas eles sabiam argumentar de modo que, quaisquer que fossem seus pensamentos eles parecessem corretos.
- Eu li um livro do Platão e vi que ele ficava perguntando um monte de coisas, é por isto que o pessoal da comunidade pergunta um monte de coisa tb ?
- Deve ser filho....eles não entendem que Platão perguntava um monte de coisas, pois ele sabia aonde ele queria conduzir a pessoa. Eles acham que Platão ficava perguntando, por perguntar. Eles não entendem que no processo do pensamento, os fins e os meios estão sempre conversando. Mas, depois que um pensador começa a escrever um texto, ele já sabe o fim, e os meios são apenas argumentos para provar os seus pensamentos.
- Pai, não entendi nada.
- Deixa prá lá... Outro dia a gente fala sobre isto.

Escrito por Escrito por Zanni às 10h00
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06/02/2006


Deus

- É só rezar que Deus te ajuda...

- Você nem imagina como eu gostaria de acreditar nisto.

- Você não acredita em Deus ?

- Há muito tempo que não acredito mais.

- Se você acreditasse se sentiria mais feliz.

- Não acho que me sentiria mais feliz acreditando...

- Claro que se sentiria, acreditar em Deus é ótimo. Por exemplo : Se você fizer uma grande cagada e se ferrar,

não vai ficar com a consciência pesada, é só dizer : Foi Deus quem quis assim. - Ou se você vê alguém passando

fome na rua é só pensar : Deus vai ajudar ele. - Não é prático ?

- Pensando desta maneira é mesmo. Mas o motivo de eu ter deixado de acreditar, é saber que Deus não vai ajudar

a pessoa que está passando fome, e sei que tenho que assumir a responsabilidade de meus erros.

- É por isto que você está sempre de mal humor. Fica prestando atenção nas pessoas que passam fome, e não tem ninguém para jogar a culpa dos seus erros. E o pior de tudo você acaba ficando sem esperanças, pois quando a gente tá na merda o melhor a pensar é que Deus vai nos ajudar.

- Sempre que estou na merda me mato de estudar e corro que nem louco atrás de dinheiro, este negócio de ficar olhando os lirios do campo só serve para os padres que vivem de doações.

- É uma boa desculpa para não trabalhar também. Veja, estou 3 meses desempregado, e estou tranquilo.

- E a sua familia, quem está sustentando ?

- A gente come na casa de minha sogra. Meu sogro é aposentado, e aposentado sempre recebe, recebe pouco mais recebe.

- Seus filhos não querem roupas, video game, som ?

- Claro que querem, mas para que serve a biblia ? É só ler para eles que os ricos não vão para o céu que eles se conformam. Se não fosse Deus eu seria como você, estressado. Você não sabe o que é descansar, sempre trabalhando, sempre tentando ajudar os outros, sempre com medo de perder o emprego.

- Para você Deus é uma desculpa para não trabalhar...

- Não, também tenho meu lado espiritual. Quando minha tia morreu, eu não chorei. E não chorei porque sei que ela está ao lado de Deus. Já imaginou se eu não acreditasse em Deus, iria ficar muito triste sabendo que minha tia está apodrecendo em baixo da terra. O pior é pensar que quando eu morrer vou apodrecer também, acreditando em Deus sei que minha alma vai dar no pé e só meu corpo vai apodrecer.

- Acho que acreditar em Deus é fugir da realidade.

- Eu também acho, mas para que viver a realidade ? Para se sentir infeliz ? Já disseram uma vez : " Se Deus não existisse teria que ser inventado." - e eu digo : Se ele existe ou foi inventado não faz diferença. O importante é que acreditar em Deus faz as pessoas felizes.

- Eu concordo com isto, mas ainda assim sou incapaz de fingir que acredito em algo só para ser feliz. Bom, tenho que ir.Até outro dia.

- Até.

Escrito por Escrito por Zanni às 13h07
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09/05/2005


O Aniversário de Monique.

"O que me mantém vivo, são as mentiras em que acredito"


- Paulo ! Que bom que você veio ! – diz Monique abraçando Paulo.
- Parabéns !.Muitas felicidades para você ! – Paulo tenta dar um beijo na boca de Monique, mas ela desvia o rosto.
- Ele está ai ? – pergunta Paulo.
- Sim está, mas não esquenta a cabeça, hoje termino com ele.
- Acredito... – diz Paulo, com um sorriso no rosto.
- Você vai ver, termino mesmo, estou cheia do Robson.
Monique conduz Paulo até uma mesa onde estão sentados  Cláudio,  Roberto e Robson. Robson está segurando uma mochila. Quando vê  Paulo se aproximando, faz uma cara feia, deixa a mochila na mesa, levanta e vai para a beira da piscina conversar com o pai de Monique.  O pai de Monique ao perceber que Robson se aproxima entra na casa, deixando Robson sozinho na beira da piscina. Monique apresenta Paulo para  Cláudio e Roberto. Ao perceber que Robson está olhando para ela, vai para perto dele, na piscina,  abraça-o e fica conversando com ele.
- Bem vindo ao clube ! - diz Cláudio para Paulo.
- Que clube ? - pergunta Paulo
- O CFM...Clubes dos Ficantes da Monique. – responde Roberto.
- Quem disse que já fiquei com a Monique ?
- Não precisa nem falar... – diz Cláudio.
- Pela cara do Robson, já deu para adivinhar. – completa Roberto.
- Quando você ficou com ela ? – pergunta Roberto para Paulo.
- Em Dezembro do ano passado. Ela tinha terminado com o Robson, nos conhecemos nas férias, em Porto Seguro.
- Quantas vezes ela já terminou com o Robson e te chamou para sair com ela depois disto ? – pergunta Cláudio para Paulo.
- Duas vezes...
- Então estou ganhando, este ano ela já me chamou três vezes, o Roberto teve menos sorte, só foi convidado para sair uma vez...
- Mas em compensação no ano passado – fala roberto, orgulhoso -  ganhei de você, ela me chamou para sair  quinze vezes e  só te chamou seis. E além do mais, o ano está apenas começando.
- Não sabia que ela era tão vagabunda... – diz Paulo, pensativo.
- Não diria vagabunda. Ela é uma mulher moderna, inteligente. Gosta de aproveitar a vida. – diz Cláudio.
- E o Robson ? – pergunta Paulo.
- O Robson é a paixão da vida dela. Ela não o larga por nada. Acho até que ela o ama. – diz  Cláudio rindo.
- Claro que ela o ama... ele e o dinheiro dele. – diz Roberto rindo.
- Mas ela é muito bonita, por que ficaria com um cara feio destes só por causa do dinheiro ?
- Porque um cara lindo e rico já teria dado um chute na bunda dela. Não viu como ele te olhou ? Ele sabe que ela já ficou com você e que vai ficar outras vezes. – diz Cláudio.
- Sabe sobre vocês também ?
- Claro que sabe, ela conta tudo para ele.
- Mas ele estava conversando normalmente com vocês, quando cheguei.

Escrito por Escrito por Zanni às 14h01
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continuação do post acima...

- É que ele já se acostumou com a gente. Já faz alguns anos que somos convidados para o aniversário da Monique... – diz Cláudio.
- Sim, ela considera os ficantes, ex-ficantes, ex-namorados como amigos e sempre nos convida para seus aniversários. Com o passar do tempo o Robson vai se acostumar com você, ele é um cara legal, vai gostar dele. – diz Roberto.
- Mas ela me disse que ia terminar com ele.... – diz Paulo.
- E vai mesmo...- diz Cláudio rindo.
- E vai ficar com alguém por um tempo e depois vai voltar para ele. – completa Roberto, também rindo.
- Agora que estava me apaixonando por ela...- diz Paulo tristemente.
- Não fique assim...pessoas como nós não nasceram para se apaixonar. – diz Roberto.
- O que você que dizer com isto ? - pergunta Paulo.
- Pode ser que eu esteja enganado a seu respeito, mas me responda uma pergunta : Com quantas mulheres noivas, casadas, comprometidas de alguma maneira você saiu o ano passado ? – pergunta Roberto.
- Muitas. – responde Paulo.
- Você tem namorada ? – pergunta Roberto.
- Não, não tenho. Acho estranho, mas toda vez que saio com alguma mulher descubro que ela tem uma outra pessoa.
- A mesma coisa acontece comigo e com o Cláudio. Aposto que você já foi traído alguma vez na vida, e mais, aposto  que você é um cara, inteligente, culto, tem um bom emprego mas não é rico. – diz Roberto.
- Sim, como deduziu isto ?
- Mulheres, como a Monique, gostam de homens inteligentes, cultos que  gastem dinheiro com elas. Se você  fosse rico, alguma mulher já teria grudado no seu pé e te convencido a casar com ela. Aposto também que você se afasta de toda mulher que quer um compromisso mais sério com você.
- Sim, me afasto...acho que não confio nas mulheres. Quando soube que era chifrudo comecei a não confiar, depois que passei a chifrante ai que deixei de confiar mesmo. Sabe, estava saindo com uma mina que tinha namorado.  Trabalhávamos juntos. Ela morava com os pais. Eu sempre a levava para casa. Um dia,  no meio do caminho, ela me fez uma chupeta, gozei na boca dela. Chegando em casa, o namorado dela estava lá. Ela me apresentou para ele, me convidou para jantar. Durante toda a noite ela deu vários beijos na boca dele. Fiquei ali, observando o olhar apaixonado dela para ele. Pensando em como o cara era idiota de estar beijando uma boca que tinha acabado de sair do meu pau e que devia estar ainda com cheiro de esperma. O pior é que já devo ter  beijado muitas vezes a boca dela depois de ter chupado o pau dele.  – conta Paulo.
- Você também observou o olhar apaixonado ? Este olhar apaixonado de uma mulher que trai o companheiro é o que mais  impressiona. – diz Roberto.
- E o jeito que elas falam : Eu amo meu namorado... – diz Cláudio.
- É verdade...é estranho você estar nú, na cama de um motel, conversando com uma mulher e ela lhe dizer que ama o namorado. – comenta Cláudio, pensativo.
- Se o Robson sabe de tudo isto, por que não se livra dela ? – pergunta Paulo.
- Tem cara que não se importa de ser corno a vida toda. Você acha que um baixinho, feio e gordo daquele vai arrumar outro mulherão como a Monique ?  - pergunta Roberto.
- Claro que vai, só que será uma Monique com outro nome. Com o dinheiro que ele tem, já teve ter tido muitas Moniques pela vida. Mas deve ter se apaixonado por esta. Afinal a Monique é uma mulher fantástica.  – responde Cláudio.
-  Logo  que desconfiei de minha ex, não fiz questão nenhuma de prender ela, ao contrário, lhe dei um pé na bunda. Este negócio de me perdoa, não  é comigo. Quem trai uma vez, trai sempre. Não importa se o marido é bom ou ruim, o que importa é o temperamento da pessoa. Tem gente que gosta de variar ou da emoção de estar fazendo algo errado. – diz Paulo.
- Mas também tem as mulheres que querem sair do casamento e o marido a ameaça com violência.  – diz Roberto.
- Estas são as melhores. Tão carentes ! Quando vão para a cama, descontam todo o tesão acumulado pelas transas não satisfatórias que tiveram com os odiados maridos. – comenta Cláudio.

Escrito por Escrito por Zanni às 14h00
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continuação do post acima...

- É verdade. As que continuam com o marido só pelo dinheiro, nem sempre os odeiam. Sexo para elas é apenas mais uma forma de divertimento ou de ganhar a vida.  – diz Roberto.
- Mas você tem que levar em consideração que hoje em dia uma mulher começa a transar lá pelos treze anos. Quanto tiver 25 anos, com quantos homens já não deve ter transado ?  - pergunta Paulo pensativo.
- Transar, para uma  mulher, é muito fácil. Tá cheio de homem querendo comer. Elas podem selecionar alguém que lhes dê algo em troca. Se elas podem achar um cara que lhes pague o estudo, e que as sustentem enquanto estudam, ainda pague uma empregada para elas não terem que fazer nada em casa, para que vão ficar dando para uma cara que não lhes oferece nada em troca ?  Por amor ? Elas namoram deste os 13 anos. Muitos e muitos homens já passaram pela vida delas. Já sofreram o que tinham que sofrer por amor, começam a procurar alguém que lhes de algo mais em troca. – diz Cláudio.
- Mas nem todas as mulheres são assim – protesta Paulo – conheço muitas mulheres fantásticas, que trabalham, fizeram uma carreira e tem algumas que até sustentam o marido.
- Isto é verdade, mas não estamos falando destas mulheres, estamos falando das Moniques e dos Robsons da vida. Mulheres que transam por dinheiro sem admitir que são prostitutas e homens que pagam por sexo achando que não fazem mais do que sua obrigação,  ajudar a namorada ou esposa. – diz Roberto.
- Quantas vezes já não escutei a frase : “Não estou procurando homem para transar, quero alguém que seja meu companheiro, que me ajude.”  - diz Cláudio.
- A ultima que me falou isto, prometi um monte de coisas para ela, comi e depois nunca mais atendi seus telefonemas, nunca aceitaria uma Monique em minha vida. Sempre falo para a Monique que se um dia ela terminar com o Robson eu assumo ela, mas falo isto apenas para ela sentir confiança e continuar dando para mim.  – diz Roberto.
- Olhe lá os dois na piscina – diz Paulo – se referindo a Robson e Monique – que olha para eles nem desconfia da falsidade de seu relacionamento, parece que os dois se amam.
- O Robson realmente ama a Monique e talvez a Monique também o ame, talvez ela não faça por mal. Para ela  ficar com outro cara enquanto está dando um tempo com o Robson é normal. E convidar amigos para seu aniversário também é normal. Acho que ela não entende como o Robson se sente.  – diz Roberto.
- Pelo menos  Robson a tem perto de si quase todo o tempo, enquanto que nós temos que ficar rodeando o território. Somos hienas que se alimenta da sobra dos outros. – diz Paulo.
- Mas neste caso são as sobras que nos procuram. Nunca ligo para nenhuma mulher, elas que me ligam e me convidam para sair. Na verdade somos mais como psicólogos,  elas nos procuram, falam mal do marido, transam com um cara diferente e que sabem que nunca vão se apaixonar por ela, depois voltam para sua vida corriqueira. Elas nos procuram para conversar e nos retribuem com sexo,  é por isto que somos solteiros convictos. Porque conhecemos as mulheres como elas realmente são. E não queremos que elas façam conosco aquilo que fazem com seus maridos. – diz Roberto.
- Covardes,  é isto que  tornamos. Homens inteligentes, cultos, bons de cama, mas que não tem coragem de assumir uma mulher com medo de virar corno. – diz Paulo tristemente.
- Não é o fato de ser corno. Até o Rei Arthur era corno. É o fato da saber que não podemos confiar na pessoa que amamos. Já vi tanta traição que acabei virando uma pessoa desconfiada. Se estou namorando e ligo no celular de minha namorada e ela não atende já fico desconfiado. Isto me faz sofrer e não vale a pena ficar sofrendo,  o melhor é não namorar.  – diz Roberto.
- Sei que sofro pela impossibilidade de confiar em alguém novamente. – diz Paulo – Mas meu maior problema é que vejo a mulher como um objeto. Gosto de ser só, mas sinto falta de sexo. Quando uma mulher vai passar a noite em casa, depois que me satisfaço sexualmente, não vejo a hora dela ir embora. Mas com a Monique foi diferente, gosto da companhia dela, gosto de ficar deitado do lado dela, gosto de conversar com ela. Tenho mais de 40 anos. Acho que está no hora de achar alguém.
- E por que não procura alguém de sua idade ? – pergunta Roberto – A Monique tem apenas 23 anos.
- Já tentei namorar mulheres mais velhas. – responde Paulo -  Mas não vejo graça. É fácil aturar uma mocinha reclamando no ouvido, mas aguentar velha resmungona, ninguém merece !.
- Mas a Monique também está envelhecendo. Envelhecendo e engordando ! Depois do primeiro filho vai ficar uma baleia. – diz Cláudio.
Monique e Robson se aproximam da mesa em que Cláudio, Paulo e Roberto conversam.
- E ai, ficaram amigos ? – pergunta Monique, se aproximando da mesa, abraçada com Robson.

Escrito por Escrito por Zanni às 13h59
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continuação do post acima...

- Sim, temos muitas coisas em comum – responde Roberto, sorrindo.
Durante a noite todos conversaram muito, Robson se acostumou com a presença de Paulo e ficaram amigos.
No ano seguinte Monique engravidou de Robson, depois de alguns anos se divorciaram.  Robson teve que dividir seu dinheiro com Monique.  Pode ver o filho a cada 15 dias. Monique engordou e não conseguiu voltar a sua antiga forma. Monique continua a convidar Cláudio, Paulo e Roberto e mais alguns amigos para seus aniversários. Convida o Robson também, mas ele nunca vai. Detesta os amigos de Monique. Sabe que ela ainda transa com eles. Sabe também que nunca mais a terá  nos braços.
Depois que se divorciou de Monique Robson saiu com duas mulheres. As duas eram casadas e trabalhavam para ele. No começo elas não queriam, mas ele ofereceu dinheiro e elas aceitaram. Mas deixaram bem claro, que apesar de estarem fazendo isto amavam seus maridos.
Com o tempo Monique foi engordando, engordando e agora passa seus aniversários sozinha. Está fazendo tratamento psicológico a base de antidepressivos.
Atualmente Robson namora Carla, ex-modelo. Roberto que apresentou Carla para Robson.
De vez em quando a Carla briga com o Robson e sai com o Roberto. Um dia destes Roberto apresentou a Carla, para Paulo e para Cláudio. Todos ficaram amigos. Trocaram emails.
Um dia Paulo recebeu um email de Carla dizendo que tinha terminado com o Robson e estava muito triste.
Paulo respondeu o email com palavras de compreensão, falando tudo o que ela queria escutar e a convidou para sair. Ele sabia que ela ia aceitar, era assim que as coisas funcionavam.

Escrito por Escrito por Zanni às 13h58
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final.

- Querido, você sabe que eu te amo. – diz Carla no celular – Estou apenas dando um tempo, preciso pensar...
Paulo está no banheiro e ouve a conversa de Carla, estão em um motel. Paulo odeia celulares e emails. Descobriu que sua mulher o traía gravando as conversas telefonicas dela. Se cassasse novamente como faria para gravar as conversas de sua mulher ? Como descobrir se estava ou não sendo traído ?  Achava que o email e o celular foram inventados para as mulheres. Era a forma ideal de uma mulher poder trair seu marido sem perigo de ser descoberta. Continuava a se sentir um covarde por não arriscar um novo casamento.  Preferiu não pensar mais nisto, vai para o quarto e transa com Carla. Pela manhã, Paulo leva Carla para casa, Carla pede que ele a deixe na casa de Robson.
Paulo pára no farol, olha para trás e vê Robson beijando Carla na boca. Sente inveja e pena do Robson ao mesmo tempo. Daria tudo para ser como Robson e ao mesmo tempo não queria estar no seu lugar. Paulo foi embora, pensando em como seria bom poder aceitar a vida como ela é, e não se preocupar com pequenas coisas. Afinal, sexo é apenas diversão. É apenas mais uma maneira de passarmos o tempo esperando a mulher do foice chegar. A vida não é tão séria quanto parece. Olha novamente para trás, Carla e Robson já entraram.
Começa a rir, olha para o carro do lado e grita : -  O idiota tá lá. beijando a boca que chupou meu pau a noite inteira … - O cara do carro do lado olha para ele e sorri. Ele liga o rádio e vai embora. O tempo está nublado, talvez chova mais tarde.

Escrito por Escrito por Zanni às 13h58
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22/09/2004


O Mó da Hora !

- O mais dificil foi conseguir uma arma…
- E como conseguiu ?
- Entrei por um caminho cheio de mato e achei um pedaço de tronco de arvore, depois voltei e fui caminhar pelas ruas. Comecei a procurar os bandidos, quando achava algum batia nele com o tronco até que ele morresse.
- E eles morriam fácil ?
- Fácil nada ! Só morriam quando a gente estourava a cabeça deles com o tronco, aí saía sangue para todo lado e eles morriam.
- Nossa ! O mó da hora !
- Mô da hora é você matar o cara aos poucos. Quando você quebra uma perna ele foge mancando, aí você tem que correr atrás deles para quebrar a outra perna, então ele fica deitado implorando para você não matar ele…
- Mó da hora mesmo…ai você dá a porrada na cabeça ?
- Não primeiro você tem que quebrar os dois braços e ficar batendo no peito dele até que ele fale : "Mate-me, por favor" – aí sim, você estoura a cabeça dele e ganha pontos.
- Que legal ! Mó da hora !
- Mano, a madrugada tá fria hoje…
- Muito fria. Sair a esta hora do trampo, nesta época do ano, é foda….
- Foda mesmo.
- Olha lá um mendigo dormindo na rua, não sei como o cara não morre de frio…
- Num tá vendo a fogueira perto do cara ?
- É verdade...tá quase apagando…
- Vamos lá se esquentar um pouco…
- O cara é esperto...olha só quanta madeira ele tem guardada.
- Pô meu ! Tem até um tronco de arvore.
- Pega o tronco aí…
- Mano, como este tronco pesa…
- Este tronco não é nada mano. Quando eu treinava capoeira, judo e karate, no centro comunitário, tinha que levantar pesos bem maiores. Nunca gostei de ir na escola, mas não saía do centro comunitário. Passava o dia jogando bola e treinando. Neste ponto não posso reclamar do governo. Na escola nunca tinha professor de matematica mas professor de capoeira não faltava.
- Joga o tronco na fogueira, estou com frio…
- Fogueira nada mano, olha lá o babaca dormindo. O cara não serve prá nada.
- O cara é um infeliz. Se ser pobre é uma merda, imagina ser mendigo.
- Não tenho pena de um merda destes.
- Que você vai fazer ?
- Vou fazer que nem no jogo, quebrar as pernas e os braços dele…
- Cara, cê tá louco ? Não faz isto…
- Cala boca mano, senão, quebro você também…


- E ai mano ? Tudo bem ?
- Tudo. Você assistiu o jornal hoje ?
- Não…
- Acharam o mendigo…
- E daí ?
- E se descobrirem que foi você que fez aquilo ?
- Eu não, mano, nós. Nós fizemos aquilo, você tava junto…Mas ninguém vai achar a gente não. Nem vão procurar. Eles estão se lixando pro mendigo. Eles não correm atrás nem de quem matou gente boa, vão ficar perdendo tempo com mendigos ?
- Você não devia ter feito aquilo…
- Vai disser que não gostou ? Cê viu ? Foi quase que nem no jogo…depois que a gente quebrou as pernas dele, ele ficou implorando para não ser morto…
- É, mas, mesmo depois que quebramos os braços dele, não pediu para ser morto. Continuou implorando pela vida…
- O cara era um idiota, para que ele queria viver daquela maneira ? Fizemos um favor pro cara matando ele. A única coisa que não gostei foi que quando estourei a cabeça dele não saiu tanto sangue como no jogo, mas, mesmo assim, foi o mó da hora !
- É mano, o mó da hora !

Escrito por Escrito por Zanni às 06h23
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06/06/2004


Oportunidades

Raquel estava na cozinha preparando o jantar. Podia escutar, na sala, o barulho do teclado do computador. Cristiano devia estar inspirado, pois digitava rapidamente e quase não parava para pensar. Raquel tinha marido e filhos que só via nos fins de semana, isto é, nos fins de semana que não viajava com Cristiano. Preparou a mesa e chamou Cristiano para comer.
- Raquel, quantos anos você trabalha nesta casa ?
- Faz 15 anos.
- E até hoje você não quis ir para a cama comigo.
- Vai começar este assunto de novo, já disse que não traio o meu marido.
- Ele mora longe e o que um binóculo não vê, o coração não sente.
- Sempre o mesmo assunto, você deve estar com tesão de novo. Passa dias em silencio, fica no seu computador dia e noite, e quando bate o tesão me pergunta se não quero ir para a cama com você.
Cristiano percebeu que, enquanto ele falava, Raquel estava com os olhos fixos em algo que ele não podia ver.
- Está vendo espíritos, novamente ? – perguntou Cristiano.
- Sim, sua mãe está aqui. Está conversando com uma senhora que não conheço.
- Você e estas bobagens de espíritos. Minha mãe morreu há dez anos, já virou pó.
- Se você não acredita, por que me pergunta se eu estou vendo ?
- Sobre o que elas conversam ?
- Não sei. Já te disse, deste pequena tenho visões mas nunca escuto o que elas falam.
- Deixa prá lá. Não vale a pena discutir isto novamente.
- Cristiano, faz tempo que eu quero te perguntar uma coisa...
- Pergunta.
- Como foi que você ficou tão rico ?
- Oportunidades, eu sempre soube aproveitar as oportunidades que tive. Não tive muitas, mas quando eu era pequeno meu avô me falou : Cristiano, todos nós temos algumas oportunidades nesta vida. Não sabemos quantas vão ser, então, sempre que você visualizar uma oportunidade aproveite-a pois pode ser a única que você terá.
- Seu avô era rico ?
- Não, ele nunca soube aproveitar as oportunidades que lhe apareceram, por isto me deu este conselho.
- Mudando de assunto, acho que terei que parar de trabalhar aqui.
- Seu marido de novo ?
- Sim, ele continua me enchendo o saco falando que eu tenho um caso com você. Qualquer dia fico cheia e acabo mesmo dando para você.
- Eu, se fosse você, fazia isto agora mesmo. Vamos já para a cama.
- Não, sou uma mulher de caráter, e você não é o meu tipo.
- Nenhuma mulher gosta do meu tipo. Sempre fui baixinho, com mãos pequenas. Mulher gosta de brutamontes. Teve uma época que achei que alguma mulher se apaixonaria por mim, mas depois que fiquei rico, nunca mais confiei em ninguém.
- Você não sente falta de um grande amor ?
- Sinto, mas não posso fazer nada. Se eu fosse fisicamente bonito, na certa já teria achado alguém, mas sou apenas financeiramente bonito e isto me torna um cara precavido. Não gostaria de viver com uma mulher que está comigo apenas por eu ter dinheiro.. Queria alguém que fosse como você, uma mulher de caráter. Mas acho que a qualidade que está mais em falta nas pessoas, hoje em dia, é o caráter.
- Você está exagerando. Você já teve namoradas que eram loucas por você.
- É, mas quando vieram morar comigo começaram a querer mandar na minha casa. Tudo que tenho consegui com muito sacrifício e não vou admitir que alguma peruazinha entre na minha vida para me dar ordens. Prefiro ficar sozinho.
- E as primas da Augusta ?
- Aí é diferente. Sei que o que elas querem é apenas dinheiro, então transo com elas, pago e fim de papo. A diferença entre a prostituta e a esposa é que a prostituta a gente paga a vista e a esposa é paga a prestação. O pior é que o financiamento é a perder de vista , e mesmo depois do divorcio a prestação não acaba, porque aí vem a pensão.
- Pensando assim você nunca vai ter ninguém mesmo.
- É eu sei. Falando nisso, liga para as primas.
- Duas de novo ?
- É...
- O que você faz com duas que não dá para fazer com uma ?
- Muitas coisas...
(continua no post abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 10h36
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(continuação do post acima...)

Uma hora depois toca a campanhia, Raquel abre a porta. Denise e Marta entram. Raquel as leva para o quarto de Cristiano e vai tomar banho. Quando sai do banho passa pela porta do quarto de Cristiano e, curiosa, resolve dar uma olhadinha pelo buraco da fechadura. Cristiano está deitado, de barriga para cima.
Denise está agachada sobre sua cara, enquanto isto Marta se abaixa sobre o pênis de Cristiano, o encaixa em sua cavidade e começa a fazer movimentos de sobe e desce. Depois de alguns minutos nesta posição, Cristiano manda Denise ficar de quatro e pede para Marta sentar nas costas de Denise, de modo que ele podia fazer sexo com Denise enquanto chupava os seios de Marta. Ao lado da cama, o pai de Cristiano e alguns amigos observam a cena. Depois de matar a curiosidade, Raquel vai para o quarto dormir, estava com tesão, não via a hora de chegar o fim de semana para ir para casa e transar com o marido. No dia seguinte encontrou uma folha de papel embaixo de sua porta, leu :

“Queria que tu fosses uma brisa,
para te sentir roçando em meu cabelo.
Queria que tu fosses o ar,
para te sentir dentro de mim.

Queria que tu fosses a água,
para te sentir em todo meu corpo.
Queria que tu fosses um perfume,
para que o teu cheiro fosse o meu cheiro.

Mas tu és como o fogo,
que queima minha alma.
Tu és como um punhal,
que destrói meu coração.

Tu és como uma estrela,
que brilha de noite e some de dia.
Tu és a fonte de minha vida
e se um dia secares, sei que morrerei.”

Então era isto que Cristiano estava escrevendo no computador na noite passada. Sempre que ficava com tesão escrevia um poema para ela e ela guardava todos. Se sentia bem em saber que um homem escrevia pensando nela.
(continua no post abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 10h35
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(continuação do post acima...)

Raquel tira a chave da bolsa e abre a porta de sua casa. Na sala o marido e os dois filhos, uma menina de 14 anos e um menino de 15, assistem um filme. Ela vai para a cozinha, passa por eles, fala boa noite, eles respondem e continuam assistindo o filme. Volta para a sala. Senta ao lado do marido.
- Ana, está tudo bem na escola ? – pergunta para a filha.
- Tudo.
- E com você Rodrigo, tudo bem ? – pergunta para o filho.
- Tudo.
Abraça o marido que em silencio continua assistindo o filme.
- Vamos para o quarto, quero falar com você. – fala para o marido.
- Não dá para esperar acabar o filme ?
- Tudo bem, eu espero.
Depois do filme vão para o quarto. Tiram a roupa e vão para a cama.
- Estava morrendo de vontade de te abraçar. – diz Raquel para o marido.
- O teu patrão não deu no couro está semana ?
- Toninho, já falei que não tenho nada com ele.
- E você acha que acredito. Você dorme todo dia na casa do cara e não transa com ele. Conta outra.
- Se eu transasse com ele não procuraria você. Passo a semana toda esperando o momento de voltar para os seus braços.
- Por que não arruma outro emprego ?
- Se fosse fácil. Ninguém vai me pagar o que ele paga. Já conversamos sobre isto muitas vezes. Ainda se você tivesse um emprego melhor. Mas o que você ganha como frentista não paga nem a prestação deste apartamento.
- Mas você podia voltar a noite...
- Não tem como. Ele não pode ficar sozinho a noite. A doença dele não tem hora para atacar e ele pode morrer se não tiver ninguém por perto durante uma crise. E se ele tiver que pagar uma outra pessoa para cuidar dele durante a noite, meu salário vai cair para menos que a metade. Além de mim ele já paga outra para ficar com ele nos fins de semana.
- Por favor, vamos fazer amor. Estou louca de tesão.
- Mas eu não estou. Eu estava com vontade ontem e você não estava aqui, hoje eu não quero. Vê se dorme e deixa eu dormir também. Raquel parou de abraçar Toninho. Algumas lágrimas escorriam de seus olhos mas ela não disse nada. Ao lado de sua cama algumas pessoas desconhecidas a observavam com expressões tristes. Deviam ser parentes do Toninho, pois ela nunca tinha visto seus próprios parentes em suas visões.
Na noite seguinte Toninho também não quis fazer amor com Raquel.
(continua no post abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 10h33
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(Continuação do post acima...)

Raquel abriu a porta do apartamento de Cristiano. Tinha gente na sala. Eram os parentes de Cristiano, estranhou o fato de eles estarem lá. Cristiano raramente recebia vistas, principalmente numa segunda-feira de manhã.
- Onde está o Cristiano ? – perguntou para uma tia dele.
- Ele teve uma crise ontem e teve que ir para o hospital, faleceu esta madrugada. Raquel, já suspeitava de uma má noticia mas mesmo assim não agüentou e desmaiou. Quando acordou estava deitada no sofá. A tia de Cristiano estava ao seu lado.
- Está tudo bem com você ? – perguntou-lhe a tia.
- Sim, está.
A mulher se afastou e foi conversar com os outros parentes. Falavam sobre a fortuna de Cristiano, já estavam discutindo de maneira seria dividida. Ele não havia feito testamento, não achava que ia morrer tão cedo. Raquel voltou para casa. A noite foi ao velório de Cristiano, o marido e os filhos a acompanharam. Raquel chorou ao ver o corpo de Cristiano imóvel em seu caixão. O corpo humano não é nada quando a vida o deixa. Daqui alguns dias ele estaria podre, seria devorado por baratas e por vermes até que restasse apenas o esqueleto e os cabelos.
- Está triste por que não vai mais trepar com ele ? – perguntou Toninho.
- Por favor, pare com isto...
Raquel foi até o banheiro lavar o rosto, não estava passando bem. Quando voltou viu a mãe e o pai de Cristiano conversando próximos ao caixão, e ao lado do caixão Cristiano olhava sorridente para o próprio corpo. Quando Cristiano a viu apontou para o caixão e mandou um beijo. Ela fez um pequeno sinal com os lábios como se retribuísse o beijo. Ele fez um sinal de não com a cabeça, apontou para o marido de Raquel, apontou para os seus parentes na sala, apontou para o lábio do defunto e novamente fez um gesto como se pedisse um beijo. Raquel entendeu o que passava na cabeça de Cristiano. Era uma oportunidade, talvez a única que ela viesse a ter em sua vida, tinha que aproveitar. Foi até o caixão, abraçou o corpo de Cristiano e começou a beija-lo freneticamente enquanto gritava : Eu te amo, eu te amo, depois de todos estes anos juntos por que não me levou com você ? Como poderei viver sem ter você novamente em meus braços ? Como poderei viver sabendo que nunca mais terei uma noite de amor com você ?
- Sua vagabunda ordinária... – gritou Toninho, do outro lado da sala.
- Papai é corno ! – disse Rodrigo para Ana, rindo.
Toninho foi em direção a Raquel para agredi-la mas algumas pessoas conseguiram evitar que ele a machucasse. Ao lado do caixão Cristiano ria sem parar.
(continua no post abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 10h32
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(final do post acima.)

Já tinha passado um ano deste a morte de Cristiano. Raquel estava no avião, a caminho da Nova Zelândia. Depois de assistir o Senhor do Anéis, resolveu que queria morar lá.
Antes de viajar se divorciou, quitou o apartamento e deu uma pequena quantia de dinheiro para Toninho, que na sua mentalidade de frentista achou que era uma fortuna. Deixou a guarda dos filhos com ele e foi embora. Tomou esta decisão depois de ter recebido uma mensagem pela Internet que dizia : “ Não é possível voltar atrás e fazer um novo começo, mas é possível começar agora e fazer um novo fim.” . A aeromoça veio lhe oferecer algo para beber, ela pediu uma taça de champanhe, ao lado da aeromoça Cristiano a olhava. Ela pegou a taça de champanhe e a levou em direção a Cristiano brindando a sua nova vida. Uma vida de verdadeira liberdade, sem filhos, sem marido e com muito dinheiro. Cristiano sorriu e foi desaparecendo aos poucos como todo bom fantasma sabe fazer.

Escrito por Escrito por Zanni às 10h29
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16/05/2004


Pensando Alto

- Gostava mais da carne assada da Sara. - murmurou Ney.
- O que você disse ?
- Nada, estava apenas pensando.
Ney não conseguia perder o hábito de pensar alto. Sempre que se distraia e acabava murmurando aquilo que estava pensando. Seu casamento acabou por causa disto. Estava no sofá assistindo um filme. Sua mulher, Sara, deitada com a cabeça  em seu colo, comentou que a bunda da Carmen era caída, ele concordou . Depois de alguns minutos ele murmurou : "Se sua bunda fosse como a da Carmen eu seria o homem mais feliz do mundo".  Ela ouviu. Ele tentou disfarçar mas não adiantou, ela já conhecia o hábito dele e por muitas vezes o tinha perdoado, mas aquilo era demais! Achar que a bunda caída da Carmen era melhor que a dela foi o fim. O pior de tudo é que a Sara, apesar de ter ido embora de casa, não saia de seus pensamentos.
Desta vez estava na casa de Carmen, ela o convidou para jantar, serviu carne assada e ele mal sentara para comer já estava falando o que não devia.
- Sabe Carmen, sempre achei você uma mulher muito atraente.
- Por que nunca falou nada ?
- Você é a melhor amiga de Sara. Se eu chegasse para você e falasse que te achava atraente, o que você faria ?
- A mesma coisa que vou fazer agora. - Ela se aproximou de Ney e deu um beijo em sua boca.
Foram para o quarto. Tiraram a roupa. Transaram. Carmen levantou foi ao banheiro. Ney prestou atenção no corpo de Carmen. Ela voltou para cama e ficou abraçada carinhosamente com ele. De repente Ney murmura : " Sara tinha razão, a bunda da Carmen é mesmo caída".
- O que a Sara falou de minha bunda ?
- Nada, eu estava só pensando alto.
- Bem, que a Sara falava que seu maior defeito era pensar alto.
Carmen pega o telefone.
- Olha aqui sua filha da puta,  bunda caída tem a vaca da tua mãe...
- Quem está falando ? - pergunta Sara do outro lado da linha.
- Sou eu, a Carmen. O teu marido me contou tudo.
- Contou o que ?
- Contou não é bem a palavra. Sabe aquela mania que você disse que ele tinha, a de pensar alto ? Pois bem fui pelada para o banheiro e quando voltei o babaca falou que você tinha razão sobre a minha bunda.
- O que o Ney está fazendo na tua casa ? E por que você está pelada ?
- Será que você é idiota ? Eu estou pelada porque acabamos de transar...
- E o Ney achou que eu tinha razão sobre a tua bunda ?
- É...
- Posso falar com ele ?
- Ney a vaca da tua mulher quer falar com você...
- Não fale assim da Sara. - disse Ney pegando o telefone.
- Ney o que você achou da bunda da Carmen.
- Achei que você tem razão.
- Razão no que ?
- Você sabe, não quero repetir...
- Você achou a bunda dela caída ?
- Sim...
- Me diz agora, qual bunda é mais bonita, a minha ou a dela ?
- Sem duvida a sua. Você me perdoa ?
- Claro que sim. Vou voltar para casa hoje mesmo.
Ney levanta, se veste olha para Carmen e se despede. Carmen não responde.
Ney volta para casa e espera a chegada de Sara. Sara chega, entra, e vai logo falando :
- O que fez você pensar que a bunda da Carmen era melhor que a minha ?
- Acho que foram as calças que ela costuma usar, aquelas calças jeans justinhas. Mas aprendi uma lição, assim como não podemos julgar um livro pela capa, não podemos julgar uma bunda pela calça jeans que a mulher usa.
- Gostei...Vamos para a cama ?
No caminho do quarto Ney murmura : " Será que aquento dar quatro num dia ? "
- Quatro num dia ? Quer dizer que você deu três com aquela vaca ? Comigo você  mal aquenta dar duas e já pega no sono.
- Calma amor, fiz de conta que estava pensando alto, foi apenas uma brincadeira.
Foram para o quarto e transaram. Sara deita a cabeça no peito de Ney. Ney relaxa e murmura: "Puxa...quatro num dia, não pensei que conseguia."  Olha apavorado para Sara, ela está dormindo. Ney dá graças a Deus e também adormece.

 

 

Escrito por Escrito por Zanni às 19h18
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02/05/2004


Ficando

Paula acordou cedo. Tinha conseguido um bico, finalmente ia ganhar algum dinheiro. Começou seu ritual matinal : Escolheu a roupa, tomou banho, desembaraçou o cabelo, comeu meio pãozinho, um copo de leite desnatado – estava de regime – pegou sua bolsa e foi para a casa de sua amiga Gislaine. Gislaine esperava Paula no portão, segurava uma sacola amarela.. Também estava ansiosa. Pegaram um ônibus, desceram na Avenida Paulista. Abriram a sacola amarela, tiraram de dentro uma grande camiseta. Era uma camiseta diferente, não só pelo tamanho, nela havia quatro perfurações : Duas para mangas e duas para cabeças. Paula vestiu a camiseta , encaixou seu braço e sua cabeça nas perfurações da direita. Gislaine se encaixou nas perfurações da esquerda. Vestidas assim pareciam irmãs siamesas. Na camiseta estava escrito “ PT – MAIS EMPREGOS PARA VOCÊ”.
- Estudamos que nem umas vacas, passamos meses fazendo aquela bosta de monografia, e olha só que maravilha de emprego que conseguimos. – disse Paula.
- Isto não é emprego é só um bico. Tenho certeza que em breve conseguiremos um emprego de verdade.
- Não acho que vai ser tão fácil. A coisa está cada vez pior. Enquanto conversavam iam andando pela Paulista. Eram olhadas com curiosidade pelas pessoas que passavam. Estavam caminhando no sentido da Consolação para a Brigadeiro Luiz Antônio.
- O pior é ter que fazer propaganda desta bosta deste partido. Além de fazer o papel de palhaça, ainda tenho que fazer de conta que acredito que o PT está trabalhando para aumentar a quantidade de empregos no país. – reclamou Paula, mal humorada.
- E não está ?
- Claro que não. Você não viu a quantidade de gente que ficou desempregada por causa do fechamento dos bingos ? Trezentas mil.
- Mas os bingos são ilegais. Tinham que ser fechados mesmo.
- São ilegais, mas sempre funcionaram. Só foram fechados quando descobriram que os integrantes do PT estavam lucrando com os mesmos.
- Isto não foi provado.
- Não foi e nem vai. Eles fecharam os Bingos para que as pessoas esquecessem o caso. Estão pouco se fodendo para os trezentos mil desempregados. O pior é que destes trezentos mil, pelo menos 80 % sustentavam famílias. Acho que com esta medida quase um milhão de pessoas foram prejudicadas. Nesta camiseta deveria estar escrito: PT – MENOS EMPREGO PARA VOCÊ.
- Nisto você está certa. Não entendo por que ele não legalizam os Bingos. Era só cobrar um bom imposto sobre os funcionamento deles. Isto faria com que o governo arrecadasse mais e parasse com está idéias de aumentar contribuição de INSS e de inventar novas taxas.
- Para mim, o motivo está óbvio. Se os bingos fossem legalizados, as taxas seriam recolhidas para o governo, o dinheiro iria para a Receita Federal. É muito melhor manter a ilegalidade, pois assim a propina que é paga para manter o funcionamento dos mesmos vai para o bolso de alguns poucos.
- Mas você não tem certeza disto.
- Claro que não. Mas é a impressão que eu, Paula, uma jovem recém formada e desempregada, tem de tudo que está acontecendo. E além do mais o PT nunca foi um partido de trabalhadores e sim um partido de sindicalistas. O pessoal de sindicato não está acostumado a trabalhar e sim a fazer acordos, e destes acordos uma boa percentagem vai para o bolso deles. O que é isto ? – Paula passa a mão na cabeça, algo melado escorrendo entre seus dedos. – Ovo !!! - olhou assustada para trás. – Gislaine, estão atirando ovos na gente !
- Já percebi.
Paula olhou para Gislaine. Ela também estava com o cabelo melado.
- Vamos tirar está camiseta e ir embora daqui antes que coisa pior aconteça.
Paula foi para a casa de Gislaine. As duas estavam muito nervosas. Choravam muito. Tomaram um banho.
Alugaram um filme e passaram a tarde juntas. A noite Paula foi para casa. Chegando em casa Paula ainda não estava se sentindo bem. Tentou ligar para o celular de Rubens. Ela já conhecia Rubens há algum tempo. Ficavam de vez em quando. Como ela gostava dele, não saia com outros caras. No fundo considerava ele uma espécie de namorado. O celular chamava mas ninguém atendia. Deixou recado na caixa postal, mandou mensagens mas nenhuma resposta dele. Resolveu sair sozinha. Foi para um barzinho que Rubens costumava freqüentar. No dia seguinte encontrou Gislaine.
- Gislaine, ontem eu não estava muito bem. Sai, queria encontrar o Rubens.
- Encontrou ?
- Sim, mas ele estava acompanhado. Fui para outro lugar e conheci um carinha. Acabei a noite na cama dele.
- Foi bom ?
- Eu topei ir com ele não para fazer desaforo para o Rubens, eu queria me sentir desejada por alguém. Queria ser acariciada, beijada, amada.
- Foi bom ? – insistiu Gislaine.
- No começo foi mas depois foi ficando estranho. Eu queria estar com o Rubens e não com ele. Tentei sentir prazer mas não conseguia. Estava sem lubrificação, o pênis dele me machucava, ele não gozava nunca. Para ver se ele gozava mais depressa, comecei a fingir, gemi, dei gritinhos, falei palavrões mas mesmo assim demorou prá cacete pro cara gozar. Minha buceta tá ardendo
até agora.
- Paula, você tem uma boca tão suja. Parece até homem falando.
- Foda-se. A boca é minha e falo do jeito que quero. O foda é que o Rubens não me dá atenção. Não nasci para ficar com um, com outro. Quero um namorado. Alguém que me paparique, que me ligue, que se importe comigo. Não sei quem inventou esta droga de “ficar”. É impossível fazer amor com um “ficante”. No máximo dá para dar uma trepada e isto não me satisfaz. Preciso de amor e não de sexo, ou melhor, preciso de sexo com amor e carinho. Não quero passar a noite com um cara só para ver o pinto dele entrando e saindo de minha buceta. Isto não tem a mínima graça.
- Sabe, não me importo muito com isto e é melhor você ir se acostumando com isto também. A vida agora é assim. Relacionamentos são muito complicados. É mais prático desta maneira. Sexo sem compromisso. Sair, gozar e voltar para casa aliviada.
- Nem parece que você está falando de sexo, parece que você está falando em ir no banheiro dar uma cagada.
- No fundo é tudo a mesma coisa. Apenas a satisfação de necessidades básicas.
- Olha, você pode falar o que quiser mas para mim este negócio de “ficar” é apenas uma ilusão. Você sai com alguém, acaba se iludindo e no dia seguinte descobre que continua sozinho.
- Cada um vive a vida da sua maneira. Você pensa muito, por isto que sofre. Quando em Roma aja como os romanos, e hoje em dia os romanos apenas “ficam”. Ou você se contenta com isto ou arranja um quarentão para você. Os velhos é que pensam deste jeito. Você está muito velha para a sua idade.Bom, já discutimos muito, tenho que ir.
- Tudo bem, depois conversamos. Vai com Deus.
- Tchau.

Escrito por Escrito por Zanni às 18h42
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25/04/2004


Quase.


- Quase que eu ganhei um carro na sexta-feira.
- Quase ?
- Comprei uma rifa, eu tinha o numero 11.573.936 e sortearam o numero 11.573.937.
- Nossa ! Foi quase mesmo ! Há muito tempo, eu quase ganhei na loteria esportiva, faltou apenas 1 ponto.
- Eu quase fui dono de uma das maiores faculdades de São Paulo ?
- Como ?
- Minha mãe, antes de casar com meu pai, namorava com um cara e quase casou com ele.
- E ?
- O que cara que ela não casou montou uma escolinha e hoje é dono de uma das maiores faculdade de São Paulo, eu quase que fui filho dele.
- Quase fui gerente de informática de uma empresa. Mas a empresa teve um problema e acabou falindo antes da minha promoção.
- Que azar ! Comigo aconteceu algo parecido, eu era gerente de uma multinacional, um dia discuti com a faxineira e fui despedido. Nunca ia adivinhar que ela saia com um diretor.
- E a faxineira ?
- Ela quase se deu bem, chegou a ser secretária do diretor, mas um dia o diretor começou a transar com uma auxiliar de escritório e resolveu mudar de secretária.
- Bem feito para ela.
- Este mês faz 6 anos que me separei. Quase fui feliz no casamento.
- Por que se separou ?
- Descobri que minha mulher me traia.
- Que chato.
- Podia ser pior, quase que eu não descobria. Ia ser corno até hoje.
- E como foi a entrevista ontem ?
- Quase fui contratado mas acharam que eu era muito velho.
- E você, foi chamado para alguma entrevista ?
- Sim, fui. Quase que deu certo. Fui entrevistado pelo diretor da empresa, mas ele me achou muito inexperiente para o cargo.
- Fiquei sabendo que um supermercado está contratando pessoas. Vou dar um pulo lá amanhã. Quer ir ?
- Que horas ?
- Vou para lá bem cedo. Umas seis horas.
- Vou sim. Passo na tua casa.
- Então, até amanhã...
- Até...

Escrito por Escrito por Zanni às 11h07
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20/04/2004


Normalmente não falo de minha vida pessoal neste blog, mas tudo o que está descrito no post abaixo é a mais pura verdade. Inclusive a policia em minha casa. E ultimamente tenho mesmo refletido muito em como será minha vida depois que minha filha casar, pois ela é tudo para mim e meu mundo gira ao redor dela. E minha filha está cada dia mais linda. Nunca pensei em ter uma filha tão bonita e inteligente. Ela vai ser um perigo para os homens, eles que se cuidem...

Escrito por Escrito por Zanni às 08h26
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17/04/2004


Finalmente tinha acabado o casamento. Agora, sua filha pertencia a outro homem.
Ele voltou sozinho para casa, não tinha esposa.
Entrou no apartamento, acendeu a luz da sala, caminhou até seu quarto. Deitou mas não conseguiu dormir. Levantou e foi até o quarto de sua filha. Estava tudo lá, ela não havia levado nada. Sua cama, suas bonecas, figuras de artistas colados na parede. Ele deitou na cama dela e começou a lembrar dos anos que passaram juntos. Lembrou do seu divórcio, a mãe não quis ficar com a filha, queria começar vida nova. Lembrou como as primeiras noites foram difíceis. Lembrou das vezes que tinham chorado juntos. Lembrou como foi difícil superar os primeiros meses. Lembrou da tristeza em seu rostinho quando o dia das mães se aproximava.
Lembrou da primeira namorada que teve depois de se divorciar. Era uma moça alta, morena, bonita. A filha não a aceitava como namorada e ele falou que a moça viria morar com eles para ajudar tomar conta dela. Lembrou da cara feia da filha quando o via abraçado com a namorada. Lembrou da vez que a diretora o chamou na escola , disse que sua filha sempre chorava em sala de aula e, quando perguntaram o motivo do choro, ela havia respondido que seu pai transava com a empregada. Riu ao lembrar de como ficou embaraçado, sem saber o que falar. Acabou tendo que desistir do namoro, as duas não se davam bem e ele não teve escolha ficou com a filha. Tentou namorar outras vezes mas não encontrou ninguém que lhe interessasse e que ao mesmo tempo se desse bem com a menina. Lembrou como foi difícil educa-la. Teve que aprender a ser mãe e pai. Lembrou da vez que brigaram e ela lhe deu um tapa na cara. Lembrou de ter perdido a cabeça e ter corrido atrás dela para bater nela. Lembrou que ela gritou que ele a estava estuprando. Foi correndo chamar a empregada, que morava próximo, para testemunhar a briga entre eles. Lembrou da policia chegando. Lembrou da vergonha que sentiu quando a policia perguntou se ela ali que tinha um pai estuprando a filha. Se não tivesse tido o bom sensode ir chamar a empregada teria sido preso. As pessoas sempre gostam de imaginar o pior. Lembrou quando ela veio pedir sua permissão para namorar, e quando ele negou ela disse chorando : “Deixa pai, por favor, eu não quero namorar escondida de você.” Lembrou do primeiro piercing que ela colocou. Lembrou da discussão para que ela não colocasse mas ela sempre acabava vencendo as discussões. Ele a amava muito e ver o sorriso no seu rosto valia mais que qualquer outra coisa. No fundo ela era uma boa menina, nunca quis fazer nada que fosse realmente errado. Olhou novamente pelo quarto, muitas vezes tinha visto aquele quarto vazio mas agora sabia que seria para sempre. Sempre soube que ela um dia iria embora mas mesmo assim nunca quis acreditar que aquilo ia acontecer.
Lembrou daquela noite, lembrou dela vestida de noiva no altar. As lágrimas umedeceram seus olhos e ele começou a chorar. Fazia anos que ele não chorava mas naquela noite ele chorou. Adormeceu chorando. Antes de adormecer um ultimo pensamento : Em breve ela vai engravidar, e ai terei meus netos para contar rindo as estórias que um dia me fizeram chorar.

Escrito por Escrito por Zanni às 06h04
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10/04/2004


Um Conto de Páscoa


I

Dezoito horas. Final de tarde. As luzes da rua se acendem.
Vozes de crianças cantando : “Coelhinho da Páscoa que trazes prá mim ? Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”. Elas correm por uma praça. Sobre um banco, uma caixa com pequenos embrulhos coloridos; ao lado da caixa , uma boneca. Se olharmos mais de perto veremos que são pequenos ovos de páscoa. Perto da praça, um cruzamento. Quando o semáforo fecha, as crianças lavam os vidros dos carros pedindo trocados. Como é Páscoa, algumas pessoas retribuem o serviço dos pequenos lavadores dando ovos em vez de dar dinheiro. As crianças depositam os ovos que ganham, em uma caixa no centro da praça. Enquanto lavam os vidros cantam : “Coelhinho da Páscoa que trazes prá mim ?...”.
As crianças moravam debaixo de um viaduto, haviam construído um pequeno quarto usando papelão e madeira. Tinham alguns vizinhos, a maioria catadores de papel. Eles também tinham construído seus pequenos quartos embaixo do viaduto.
Elas eram as únicas crianças por lá. Tinham fugido de casa.
Marta tem seis anos, gosta de brincar com sua boneca Sara. Ela ganhou Sara de seu pai no ano passado, alguns meses antes dele falecer. Bruno, dez anos, é um menino esperto e muito amigo de Marta. Gosta de correr e jogar bola. Rafael tem 14 anos, não é muito esperto mas é corajoso, sempre protegeu Marta e Bruno. Os três são irmãos.
- Rafael, hoje que é Páscoa ? – perguntou Marta.
- Sim... – respondeu Rafael, com sono.
- Mas o coelhinho não trouxe ovo prá gente.
- Coelhinho não existe, quem trazia o ovo era o papai.
- Mentira, o coelhinho levou nosso ovo lá para nossa casa, ele não sabe que mudamos para cá.
Marta abaixou a cabeça e começou a chorar baixinho. Bruno se aproximou e disse:
- Não chore Marta, vamos mandar uma carta para o coelhinho dizendo que mudamos para cá, e ele trará os ovos.
Marta correu para dentro de seu quarto de papelão, trouxe um pequena mala. A mala estava suja e rasgada mas ainda podia ser usada. Quando fugiu de casa ela pegou as coisas da escola, achou que ia continuar estudando.
Com a ajuda de Bruno, escreveu uma carta para o coelhinho explicando que estavam morando em outro lugar. Colocaram a carta numa caixinha do correio que ficava próxima ao viaduto.
II

Marta, Bruno e Rafael moravam numa boa casa, juntos com seus pais Rosana e Ricardo. Ricardo sofreu um acidente e morreu. Rosana tentou várias vezes conseguir emprego, mas não tinha disciplina e sempre acabava sendo despedida. Achava que uma mulher inteligente como ela, merecia coisa melhor do que passar o dia trabalhando e recebendo ordens. Desesperada e sem dinheiro, Rosana começou a freqüentar uma igreja evangélica onde conheceu Josué. Josué era pastor da igreja, era casado. Fez amizade com Rosana e começou a ajudá-la. Josué, como todo pastor de Igreja Evangélica, estava bem de vida. Deus paga bem a seus servos. Como Rosana era muito mais jovem que a mulher do pastor, logo o pastor se interessou por Rosana, e como o pastor tinha bastante dinheiro, logo Rosana se interessou por ele. Em pouco tempo os dois começaram a morar juntos.
O pastor adorava crianças, principalmente as meninas novas.
Um dia Marta estava triste e Rosana perguntou o que estava acontecendo.
- Mamãe, toda vez que a senhora vai no mercado o Josué pede para mim tirar a calcinha e fica mexendo no meu bumbum.
- Não acredito no que vc esta falando. – disse Rosana, em tom zangado. – Você fala isto por que não quer me ver feliz, está com ciúmes dele.
Marta correu chorando para o quarto.
Um dia, Rafael chegou mais cedo da escola e viu Josué acariciando as nádegas de Marta.
Revoltado, pulou em cima de Josué. Josué, fez de conta que nada aconteceu e saiu de casa.
Quando Rosana chegou do mercado, Rafael falou :
- Mãe, quando cheguei da escola, o Tio Josué estava passando a mão na bunda da Marta.
- Você também vai começar com mentiras agora. Será que vocês não podem ver minha felicidade ? Vocês querem que eu volte a trabalhar naquelas lojas horríveis ? Vocês não gostam do Josué por que ele ficou no lugar do pai de vocês, e então inventam mentiras sobre ele.
Um dia, enquanto Rosana estava no mercado, Josué chamou as três crianças e falou que quem mandava naquela casa era ele, e se eles contassem mais alguma coisa para Rosana, ele daria uma surra nos três e em Rosana também. Em seguida mandou que os três abaixassem a calça, ficassem de costa para ele e que não olhassem para trás de maneira alguma.
Durante a noite as crianças resolveram fugir de casa e a partir deste dia elas viraram moradoras de rua.( continua abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 13h17
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Um Conto de Páscoa (continuação)

III
A noite, quando já estava escurecendo, os três resolveram voltar para o viaduto. Rafael e Bruno carregavam a caixa com os ovos e Marta levava nos braços Sara, a sua querida boneca e única amiga.
Quando chegaram ao viaduto, sob o qual moravam, foram diretos para a casa da Tia Rita.
- Tia Rita! – gritaram os três juntos.
Tia Rita saiu de seu quarto, que também era feito de caixas. Ela deveria ter uns 40 anos, estava fumando.
- O que vocês querem ?
- Olha o que trouxemos ! – mostraram a caixa repleta de ovos.
- Muito bom ! – Tia Rita levou a caixa de ovos para dentro e em seguida trouxe alguns saquinhos plásticos, com uma substância branca dentro, e três ovinhos de páscoa pequenos, que as crianças reconheceram como alguns dos que estavam na caixa que havia sido entregue para Tia Rita.
- Obrigado, Tia Rita ! – agradeceram as crianças.
- Boa Páscoa para vocês. Agora deixem a Tia descansar. – Tia Rita voltou para dentro.
As crianças foram para seu quarto caixa. Cada uma sentou em um canto, com um saquinho.
Fecharam bem os olhos e começaram a aspirar o conteúdo. Tudo começou a ficar mais alegre.
Não sentiam mais saudades de Rosana, não sentiam mais saudades de Ricardo. Não lembravam mais das ameaças de Josué.
Marta lembrou-se da cartinha que havia mandado para o coelhinho.
- Bruno, será que ao coelhinho recebeu minha cartinha ? Será que ele vai trazer nossos ovinhos ?
- Cala a boca. você já não ganhou ovinhos ?
- Mas os ovinhos que os coelhinhos trazem são mágicos. Dentro deles existe felicidade. – começou a cantar – Coelhinho da Páscoa que trazes prá mim...
Ninguém respondeu. Eles continuaram a cheirar, cheirar. O único som que se ouvia era a voz de Marta cantando: “Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”
De repente homens entram no pequeno barraco. Começam a tirar a roupa de Marta que continuava cantando : “Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”
Rafael percebeu o que ia acontecer, e tentou reagir. Um homem o segurou por trás, pelo pescoço enquanto que outro lhe apontava um revolver. Não falaram uma palavra. O único som que se ouvia era a voz de Marta, chorando e mesmo assim cantando : “Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”
Rafael, tenta se libertar do homem que o segura , o outro homem aperta o gatilho...o revolver falha. Rafael sente que está desmaiando. O homem, sentindo que Rafael vai desmaiar, deixa que ela caia. Antes de cair Rafael recupera as forças. Bate no homem que está com o revolver. Começa a gritar por socorro. Os outros habitantes do viaduto correm para o barraco. Rafael pega Bruno e Marta pelas mãos e corre, corre em direção a casa em que moravam. Durante o caminho Marta canta “Um ovo, dois ovos , três ovos assim...”. Quando chegam lá encontram Rosana. Rosana abraça fortemente Marta e Bruno, diz que os ama, vem na direção de Rafael e o abraça também. Marta ainda canta “Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”. Rosana continua abraçando Rafael pelo pescoço.
O pescoço de Rafael está doendo. Ele abre os olhos e vê que ainda está dentro do barraco. Num canto, Bruno cheirando seu saquinho de cola, no outro Marta, sendo estuprada . Rafael olha para a frente e vê um revolver apontado em direção a seus olhos. Uma voz fala: “Desta vez está com balas”. Tudo vai se apagando. Ao fundo a voz de Marta cantando: “Um ovo, dois ovos, três ovos assim...Um ovo, dois ovos, três ovos assim...”.

Escrito por Escrito por Zanni às 13h12
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08/04/2004


Pergunta da Quinta.

Tenho algumas amigas que deixaram o celular cair dentro da privada.
Pergunta : O fato de mulheres deixarem o celular cair dentro da privada, está diretamente relacionado com o fato do mesmo estar equipado com dispositivo de chamada vibratório (vibracall) ?

Escrito por Escrito por Zanni às 13h04
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03/04/2004


Coisas de Solteiro

A noite acordo. Meu quarto iluminado pelo luar, que entra pela janela. Fecho os olhos e imagino uma mulher, linda, deitada ao meu lado. Sua doce voz dizendo ao meu ouvido:
- Meu amor, como é bom estar aqui ao teu lado... nós dois... este silencio... tudo tão romântico! Lá fora as estrelas brilham, pontinhos prateados na imensidão negra do céu... o luar entra pela janela, iluminando teu rosto, que, quando um nuvem intercepta os raios lunares, desaparece na escuridão, me lembrando que um dia poderei te perder. Nunca pensei que moraria com você. Nunca pensei que deixaria a casa de meu pai . Sinto tanta saudades dele, da minha mãe, da minha antiga casa, da TV a cabo, da piscina, dos criados, do jardineiro. Sinto falta dos tempos em que ia no mercado e podia comprar tudo que queria, não precisava levar a calculadora e ficar somando tudo para ver se o dinheiro ia dar . Porque a pior coisa que tem é chegar no caixa e depois de passar toda a mercadoria, ver que tá faltando dinheiro. É uma puta vergonha! A gente enche o carrinho e, na hora pagar, tem que deixar tudo naquela cestinha, que tem atrás do caixa. E sabe, falando em luz apagada. Você já pagou a conta de luz? Não vai deixar cortar que nem no mês passado. E estas nuvens passando na frente da lua significa que vai chover, e se chover já viu, vai entrar água pelo telhado de novo. Da outra vez que choveu, molhou toda a roupa que eu tinha passado. A tarde inteira passando roupa, para ter que lavar tudo de novo no dia seguinte. Tá pensando que sou sua escrava ? Que a única coisa que faço na vida é cuidar desta casa ? Minha vida é um corre, corre . Ontem acordei atrasada usei a privada nem puxei a descarga, saí apressada tropecei na escada esqueci a caneta nem lavei a buceta, fechei o portão prendi o dedão, parei na padoca prá comprar pão, o pão estava quente fiquei contente mas entrou no meu dente, marido pobre é uma fria, nem sequer tem dinheiro prá me levar no dentista. Corri para a fila, entrei no busão dei de cara com o João. Cheguei no metrô, passei na catraca, a escada rolante estava quebrada, embarguei no sentido da barra funda, um cara passou a mão na minha bunda, fui para o lado, longe do tarado, mas de que adianta ? Escapo de um, outro me apanha. E o pior de tudo, o bilau estava duro! Viro para um lado, viro para o outro, enfim escapo do outro tarado, o metrô pára, uma voz anuncia problema na via, o calor sufoca, o aperto é total, uma mulher do meu lado tá passando mal, pela cara dela a coisa era feia,pensei: "Vai desmaiar", mas nem imaginei que ia vomitar, o vomito fedido sujou meu vestido, chamei-a de vaca, meteu a mão na minha cara. Sinto um liquido escorrendo nas pernas, passei a mão para ver o que era. Ih fodeu !!! Meu chico desceu.
Abro os olhos e, mesmo sendo ateu, dou graças a Deus por estar sozinho.Fecho os olhos, durmo tranqüilo, e muito embora ninguém tenha me dito, tenho certeza de que dormi sorrindo.

Escrito por Escrito por Zanni às 21h35
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31/03/2004


Fadinha do Dente

Quando somos pequenos nos ensinam a acreditar em Papai Noel, Coelhinho da Pascoa, Fadinha do Dente, Deus. Quando vamos crescendo, e nos tornamos racionais, vemos a impossibilidade da existência destes mitos.
O que acho muito engraçado é que temos a mania de comer estes seres. Na pascoa comemos o coelhinho de chocolate. No natal comemos o papai noel de chocolate. Na comunhão comemos a hóstia, que é o corpo de Cristo. A única entidade, das citadas acima, que nunca comi foi a fadinha do dente. Alguém ai já comeu ela ??? Se comeu, conta ai prá gente : Ela é gostosa ???

Escrito por Escrito por Zanni às 12h54
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27/03/2004


Encontro pela Net II

I

Roberto, como inumeras outras pessoas, sempre que não tinha nada para fazer, ia ao shopping.
Caminhava de um lado para o outro olhando as lojas e as pessoas.
Gostava de ficar sentado a beira de uma pequena fonte. Gostava
de ouvir o barulho da agua escorrendo.
Uma mulher morena, bonita. Se aproximou dele rapidamente, e falou :
- Desculpe o atraso - deu um beijo em seu rosto, Roberto retribuiu o beijo.
- Tudo bem. Cheguei quase agora. - respondeu.
- Você é o Carlos, né ? Sou a Simone, a Morena Solitária.
Simone tinha desmanchado o namoro fazia dois meses. Ela estava triste. Apesar de não gostar muito do ex namorado, ele pagava seu aluguel, sua conta de telefone e quando saiam, sempre pagava as despesas. De manhã, depois de fazer suas contas, percebeu que estava precisando de um outro namorado. Entrou na NET e marcou encontro com Carlos, no shopping, em frente a fonte.
Roberto percebeu que ela havia marcado encontro com alguém pela NET, e que devia estar confundindo a pessoa com ele.
- Prazer, mas nome verdadeiro é Roberto, Carlos era apenas o nick que eu usava.
- Você falou que ia estar de camisa amarela, calça jeans e veio de camisa azul, calça social.
- É que quando fui pegar a roupa, percebi qua a empregada não tinha passado e vim com a roupa que estava passada.È dificil encontrar uma boa empregada. Vamos comer alguma coisa, estou morrendo de fome.
Na realidade Roberto não estava com fome. Já havia comido, mas sabia que tinha que sair rapidamente de lá. O Carlos chegaria a qualquer momento.
Roberto já tinha tido muitos encontros pela internet. Como nenhum tinha dado certo, ele havia desistido de fazer isto a algum tempo. Foram para o Mac. Roberto achava que o Mac era o lugar ideal para levar uma mulher que conheceu pela internet. Como os lanches não são caros, ele podia pagar a conta e se, no final, não rolasse nada, o prejuizo seria pequeno.
Pegaram o lanche e foram sentar. Na mesa ao lado, uma Drag Queen comia seu lanche.
- Que filme vamos assistir ? - ela perguntou.
- Que tal "A PAIXÃO DE CRISTO" ?
- Não gosto de filmes religiosos. Não consigo acreditar na Biblia.
- Temos algo em comum, eu também não acredito. Acredito que Jesus possa ter existido, mas acho que o que está escrito na Biblia não é aquilo que ele pregava. Se fosse ele não teria sido crucificado.
- Não entendi.
- Na Biblia diz que Jesus pregava a humildade. Pregava o conformismo. Por exemplo, veja esta frase atribuida a ele : "Felizes aqueles servos, que o patrão quando vier, encontrar vigilantes." Isto não é uma frase que levaria alguém a ser crucificado. Muito pelo contrário! Acho que Jesus pregava algo contra Roma. Incendivava uma revolução. Outra coisa que não entendo é que existia uma multidão de gente seguindo Cristo. Cristo está pregando e a multidão está ouvindo. Cristo está andando e a multidão o está seguindo. E de repente, Cristo está sendo julgado e a multidão está querendo que ele morra.
- É verdade. Não tinha pensado nisto.
- Sem contar que Deus vivia aparecendo para todo mundo. Você ia mijar no mato e tinha uma visão de Deus. Ele até estuprou Maria. De repente sumiu. Não apareceu mais para ninguém.
- Não é bem assim,. E Joana D´Arc ?
- A estória de Joana D´Arc não tem a minima lógica. Para que Deus queria que a França ganhasse a guerra. Qual o motivo para Ele querer que os franceses matassem os ingleses. Sendo todo poderoso ele não precisaria mandar a francesa para a batalha, era só Ele usar sua voz toda poderosa e dizer: " Morram ingleses " e puft.. os ingleses desapareceriam. Não adianta, não tem a minima lógica.
- Você acha que ela era louca ?
- Pode ser que sim, pode ser que não. Hoje em dia, se ela estivesse viva, aqui no Brasil, provavelmente seria internada. Se estivesse nos EUA poderia ser presidente. O Bush é uma espécie de Joana D´Arc. Em algumas épocas assasinos são considerados santos, em outras heróis, alguns podem até ganhar o Nobel da Paz. São Jorge virou santo por matar um dragão, ele deve ter matado o último da espécie. Foi o responsavel pela extinção dos dragões e mesmo assim virou santo. Como posso acreditar em tanta idiotice.
- Então, que filme vamos assistir ?
- Mesmo assim gostaria de assistir "A PAIXÃO DE CRISTO".
No caminho do cinema eles passaram pela fonte. Sentado ao seu lado, um homem.
- Olhe aquele homem. Está de camisa amarela e calça jeans, da maneira qua vc falou que viria vestido - disse Simone.
- Nossa que coincidência, vamos logo senão filme começa. - Roberto apressou o passo e puxou Simone pelo braço.

Uma hora depois.

Roberto e Simone se beijavam no cinema, enquanto que na tela, Cristo levava várias chicotadas.
A Drag Queen viu um homem tristonho, sentado a beira da fonte, foi consola-lo

Cinco horas depois.

Roberto e Simone transavam em um motel.
Carlos e a Drag Queen transavam em um motel.

Um mês depois.

Simone muito abatida falou para Roberto que estava sem dinheiro para o aluguel. Roberto se prontificou a pagar o aluguel e as contas de Simone.
Carlos muito abatido falou para Carla ( a Drag Queen) que estava sem dinheiro para o aluguel. Carla se prontificou a pagar o aluguel e as contas de Carlos.

Um ano depois.

Simone casa com Roberto.
Carlos deixa Carla. Carla toma um vidro de remédios para dormir. Fica internada alguns dias. Se apaixona pela enfermeira chamada Ana.

Um ano e três meses depois.

Simone fica grávida.
Ana fica grávida de Carla, cujo nome verdadeiro é Fernando.

Dois anos depois.

Nasce a filha de Roberto, Claúdia.
Nasce o filho de Fernando, Claúdio.

Quinze anos depois.

Cláudia tem sua primeira relação sexual. Sente um grande prazer. Promete a si mesma repetir a experiencia sempre que possivel
Claúdio experimenta drogas pela primeira vez. Sente um grande prazer. Promete a si mesmo repetir a experiencia sempre que possivel

Dezoito anos depois.

Roberto, que agora é um homem rico, pede o divorcio de Simone. Conheceu um moça mais jovem e pretende se casar com ela.
Carla, agora Fernando, continua casado com Ana. de vez em quando se encontra com Carlos.
Claúdia conhece Cláudio. Se apaixona por ele.

Dezoito anos e dois meses depois.

Roberto está morando sozinho com a filha. Nota que a filha está estranha sempre pedindo dinheiro.

Dezenove anos depois.

Roberto acorda com uma forte dor na nuca. Não consegue levantar. Percebe que está sendo agredido. Antes de morrer vê que a filha o observa pela porta entreaberta. Seu ultimo pensamento : " Mulher é foda...".
(continua abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 13h08
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II
Roberto ficou consciente novamente. Estava em sua cama. Ao seu lado, o corpo de um homem. Sua cabeça, coberta por um lençol.
Um lençol vermelho. Ensangüentado. Esticou sua mão para levantar o lençol. Percebeu que embora sentisse seus membros, os mesmos não mais existiam. Foi até o espelho, não enxergou seu reflexo. Lembrou o que aconteceu, entendeu que o corpo que estava ali, na cama, estendido, morto. Era seu próprio corpo.
Olhou para os lados, como que procurando algo.
Olhou pela janela. Será que deveria sair voando em direção ao céu ? Para que direção ficaria o Paraíso ? E se lá chegasse e não o deixassem entrar ? Achou melhor ir até o inferno, mas também não sabia em que direção ficava. Deveria ir em direção ao centro da terra ? Achou melhor esperar que alguém o viesse buscar. Flutuou pelo quarto, estava se acostumando com a falta de peso. A porta estava fechada. Como faria para sair ? Resolveu tentar atravessa-la, afinal ele era um espirito, pelo menos achava que era, e um espirito faz estas coisas. Atravessou a porta sem problemas, se dirigiu para o quarto da filha. A porta estava aberta. De dentro do quarto vinha uma luz forte, iluminando o corredor. Se aproximou. Pela porta viu sua filha, sendo possuída por um homem. A luz que iluminava o quarto vinha do corpo de sua filha. Sentiu vontade de atacar o homem, mas nada podia fazer. Sua filha sentia prazer, e quanto mais prazer ela sentia mais seu corpo se iluminava.
Assim como as mariposas são atraídas pelas lâmpadas ele começou a ser atraído pela luz de sua filha. Ela estava preste a atingir o auge do prazer, seu corpo parecia estar sendo consumido por chamas. De repente a luz, que vinha dela, o cegou. Parecia que ele estava olhando para o sol. Se sentiu sugado para o centro daquela luz , sua mente se fundiu com dela. Suas recordações passaram a ser recordações dela, e as dela, as dele.
Roberto sentiu a tristeza de sua filha quando ele se separou de Simone. O desejo de vingança por ele ter abandonado sua mãe. A necessidade que ela tinha de fugir daquela realidade. Ela sair correndo de casa para se encontrar com Cláudio. A dor e prazer de sua primeira noite de sexo. A sensação de experimentar drogas pela primeira vez. A necessidade sempre crescente de se drogar e se drogar.
Cláudia sentiu a alegria dele ao vê-la , pela primeira vez, no berçário do hospital. O cansaço que ele sentia quando ela ficava doente e ele passava a noite no hospital, sentado ao seu lado , segurando a sua mão. O orgulho do pai que vê a filha se transformando em mulher bonita. O ciúmes ao vê-la com seu primeiro namorado.
O medo que ela se cassasse e fosse embora e a certeza, de que um dia, isto teria que acontecer.
Roberto viu Cláudio falar para ela que estava devendo muito dinheiro para traficantes. Que eles iam mata-lo se não pagasse. Viu seu próprio rosto negando o dinheiro para Cláudia e mandando ela ir trabalhar. Escutou Cláudio falando que não ia mais dar drogas para Cláudia se ela não lhe arrumasse o dinheiro que precisava.
Cláudia viu Simone se negando a fazer sexo com Roberto. Sentiu a tristeza de Roberto ao descobrir que Simone estava transando com um de seus empregados. A vergonha que ele sentiu ao saber que todos os funcionários de sua empresa, sabiam do caso de Simone e riam dele pelas costas. Sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto quando Simone falou que nunca tinha o visto como homem, e sim apenas como um caixa eletrônico. Sentiu a necessidade que ele tinha de um pouco de carinho quando conheceu Cristina, uma moça 20 anos mais jovem que ele mas que lhe dava o carinho que Simone nunca tinha lhe dado.
As duas mentes se fundiam cada vez mais. Roberto imaginou Cláudia na cadeia. Cláudia sentiu que iria para a cadeia. Cláudia ficou triste com o jeito que Simone tratava o pai e compreendeu o motivo do divorcio. Se arrependeu do que tinha feito e começou a chorar.
Roberto sentiu as lágrimas de remorso da filha e chorou também.
- Tá chorando, por quê ? - perguntou Cláudio.
Cláudia não escutou, seus pensamentos ainda estavam unidos com os de Roberto. Roberto só pensava em como livrar a filha da cadeia e de Cláudio.
- Vá para meu quarto - pensou Roberto.
- Vamos ao quarto de meu pai - disse Cláudia levantando-se e dirigindo-se para o quarto de Roberto.
- Não podemos ir lá, já limpei tudo. Você vai acabar deixando pistas.
Mesmo assim Cláudia continuou indo em direção ao quarto. Cláudio a segurou. Ela escapou.
Cláudio a alcançou e a jogou contra a parede. Ela deu um tapa em sua cara. Ele deu um soco na cara dela. Ela ficou no chão, caída.
- Vá para meu quarto. - pensou Roberto.
Cláudia se levantou e correu para o quarto.
- Abra a gaveta. - pensou Roberto.
- A gaveta. - falou Cláudia.
Cláudio correu atrás dela mas não conseguiu alcança-la.
- Embaixo do livro. O revolver - pensou Roberto.
- Um revolver. - falou Cláudia. Levantou o livro, pegou um trinta e oito e apontou para Cláudio. Cláudio recuou.
- Fique ao lado da cama - pensou Roberto.
- Fique ao lado da cama. - falou Cláudia.
- Meu amor, agora nada vai impedir que fiquemos juntos. Com a morte deste imbecil, ficaremos ricos.
- Meu pai me amava! Agora eu sei disto. Me arrependo do que fiz.
- Amava nada. Ele odiava você e sua mãe. - enquanto falava, se aproximava de Cláudia.
- Atire. - pensou Roberto.
- Cláudio, você não entende. Meu pai me amava, amava minha mãe. Agora eu sei. Nós que não o entendíamos.
- Como você sabe ? - Cláudio continuava a se aproximar.
- Atire. - pensou Roberto
- Meu pai...ele está dentro de mim. Posso sentir seus pensamentos...suas emoções...suas recordações.
- Você está louca. Me dá esta arma e vamos embora.
- Não, vou ficar com meu pai...eu o amo.
Cláudio avançou para Cláudia e agarrou sua mão. Cláudia com uma força sobrenatural jogou Cláudio contra a parede, apontou a arma para ele.
- Cláudia. Você não tem coragem de atirar em mim.
- Cláudia não tem. Mas eu tenho.
Cláudio recuou assustado com a voz que saiu da boca de Cláudia. Dos olhos de Cláudia saiam lágrimas.
Cláudio escutou um barulho. Sentiu uma pequena pontada na altura do peito. Começou a ficar tonto, caiu. Estava morto.
Cláudia foi até o telefone. Chamou a polícia. Ia contar toda a verdade mas sentiu que seu pai não queria isto. Falou que Cláudio a tinha estuprado, matado seu pai. A policia acreditou. Afinal Cláudia estava machucada, havia esperma de Cláudio dentro dela.
(continua no post abaixo...)

Escrito por Escrito por Zanni às 13h05
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23/03/2004


III
Os meses foram passando. Ninguém veio buscar Roberto.
Depois daquele dia, nunca mais havia conseguido se comunicar com a filha.
Cláudia estava grávida. O filho era de Cláudio. Já havia se passado nove meses, sua barriga estava enorme. Simone estava morando com ela. Roberto flutuava pela sala. Observava as duas. Cláudia continuava emitindo luz. Depois que morreu ele já havia vistos várias pessoas, mas nenhuma delas emitia luz. Nunca viu nenhum outro espirito. Na realidade, ele, apesar de sentir a sua existência, também não conseguia se enxergar. Cláudia lia um livro enquanto Simone cozinhava.No sofá, assistindo TV, seu ex funcionário, agora marido de Simone.
A luz de Cláudia novamente começou a aumentar de intensidade. Tudo começou a ficar escuro. Roberto achou que finalmente vieram busca-lo. Roberto mergulhou na escuridão. Estava flutuando. De vez em quando escutava ruídos. Perdeu a noção do tempo. Se decepcionou com a morte. Nem Deus, nem o Diabo. Apenas a escuridão. Talvez estivesse no limbo. Não sabia. O tempo foi passando. Nada acontecia.
Sentiu que estava sendo empurrado. Não entendia o que estava acontecendo. Parecia que alguém o empurrava com força. Ele não tinha forças para resistir. Suas vistas estavam doendo. A claridade o cegava. Vozes. Ele estava muito confuso. Estava perdendo suas lembranças. Escutou a voz de um homem : " Qual vai ser nome ?". Escutou a voz de sua filha : "Roberta". Sua mente estava confusa. Não conseguia se lembrar de quase nada, mas conseguiu entender o que estava acontecendo. Ele havia renascido. Agora ele era a filha de sua filha, filha do homem que o matou e o qual ele havia matado. Sua vida anterior estava sendo apagada de suas lembranças.
Tinha renascido como mulher.
Seu ultimo pensamento: "Ser mulher vai ser foda..."

Escrito por Escrito por Zanni às 13h18
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14/03/2004


Tudo certo.

Trabalho perto do MASP . No almoço, sempre dou uma volta pela Paulista. Na Rebouças, quase esquina com a alameda Santos, perto do correio, tem um rapaz que vende balas, dadinhos de amendoim , chocolate. Sempre que passo por lá compro alguma coisa. Na semana passada, depois que almocei, passei por lá e comprei alguns dadinhos. Coloquei-os no bolso e fui comendo enquanto caminhava. Um pouco a frente, um senhor estava sentado na calçada, encostado na parede. Ao me ver levantou-se e veio me pedir um dadinho. Dei-lhe o doce. Ele agradeceu e começou a caminhar ao meu lado. Eu não disse nada e ele começou a falar :
- Sabe moço, sempre fiz tudo certo...
- Como ?
- Sabe, sempre fiz tudo certo...
- Não duvido disso...- comecei a apressar o passo.
- Espere...não estou bêbado. Sempre fiz tudo certo...
- O que você fez certo ?
- Tudo... Eu comecei a trabalhar com 14 anos. Primeiro fui aprendiz de sapateiro, depois aprendiz de alfaiate. Com 22 anos montei minha própria alfaiataria. Fiz ternos para pessoas importantes. Políticos, artistas, tinha gente que vinha de longe para que eu fizesse um terno. Tempos bons. Ternos bons. Não como esses ternos de hoje...a qualidade era boa. Hoje você pode comprar uns terninhos porcarias por ai bem baratinho. Não chegam aos pés dos ternos que eu fazia.
- Até que os ternos não são tão ruins assim...
- É que você não conheceu os que eu fazia ...Durante anos minha alfaiataria foi conhecida. Eu era um profissional reconhecido e bem pago. Casei tive 1 filho. Como tinha muitos clientes tive que contratar ajudantes. Um dia descobri que minha mulher tinha um caso com um deles.
- Mulher é assim mesmo, as que são casadas com o empregado, tem caso com o patrão e as que são casadas com o patrão, acabam tendo caso com o empregado.
- Pois é...mas nunca pensei que isso ia acontecer comigo...sempre fiz tudo certo, tratava ela com carinho, era um bom pai...
- O que você fez ?
- Despedi o empregado e pedi o divórcio. Quando descobrimos que fomos traídos por alguém, perdemos a confiança. O Juiz deu a guarda de meu filho para ela e estipulou uma boa pensão para que eu pagasse. Deixei minha casa para minha mulher e meu filho e fui morar de aluguel.
- O seu ajudante foi morar com ela ?
- Que nada, o cara nunca quis nada sério com ela. Ela quis dar, ele comeu...muito natural. Não culpo ele. Tem cara que quando descobre que a mulher tem amante ,vai lá e dá uma surra no cara. Como se o cara tivesse culpa da mulher ser uma vaca...Quando um não quer dois não trepa...
- Também acho...
- Ela ficou com raiva de mim. Vinha na alfaiataria, ficava na porta falando mal de mim para os clientes. Falava mal de mim para meu filho. Um dia perdi a cabeça e dei uma surra nela. Não sou um cara violento, mas ela não saia da alfaiataria, procurava briga comigo na frente dos clientes. Nessa época os ternos feitos a mão já não tinham tanta procura. As coisa estavam começando a piorar e ela ainda afastava os clientes que restavam. Eu estava muito estressado.
- Por que não procurou a policia em vez de bater nela ?
- Dei várias queixas...eles falaram que não podiam fazer nada. Ela não estava cometendo nenhum crime... As leis no Brasil são assim, enquanto não acontece um crime, ninguém toma uma
providência.
- E a alfaiataria ?
- Fui perdendo a vontade de trabalhar. Estava muito estressado. Comecei a perder a paciência com os clientes. O movimento foi piorando. Não tinha dinheiro para pagar a pensão. Ela deu queixa, fui preso. Meus parentes conseguiram o dinheiro e me livraram da cadeia. Mesmo assim passei quinze dias na prisão. Sem trabalhar...sem abrir a alfaiataria. Com tudo isso eu acabei falindo...fiquei sem dinheiro para o aluguel...Na hora que estamos fodidos é que vemos quem são nossos verdadeiros amigos e no meu caso não tinham nenhum.
- E seus parentes ?
- Eles são muito legais, mas moram em apartamento. Você sabe como são os apartamentos de hoje em dia...muito pequenos, mal acomodam os donos, e nunca tive tanta amizade assim com eles. Enfim tive que morar na rua. Mas eu vou sair dessa... – tirou do bolso algumas apostas de loteria – Achei elas num lugar que eu nunca tinha passado antes. Vai correr amanhã, tenho certeza que vou ganhar. Senão por que as teria achado ?
- A conversa está boa mas tenho que ir embora. Boa sorte para o senhor.
- Obrigado...
Na Sexta-feira avistei novamente o homem que fez tudo certo. Ele estava sentado no mesmo lugar que da primeira vez que o vi. Bem que eu gostaria de concluir essa estória dizendo que ele havia ganho na loteria e estava com o filho do lado, mas isso não é um filme é a vida real e na vida real essas coisas não acontecem.

Escrito por Escrito por Zanni às 09h26
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08/03/2004


Deus, o Diabo e o Homem

- Hummm…Como provação da semana  estou pensando em mandar uma enchente , o que você acha ?
- Boa idéia…
- Quero ver se eles blasfemarão por causa das enchentes. E você, o que pretende fazer essa semana ?
- Estava pensando em atear fogo em algumas favelas mas como o Senhor vai mandar uma enchente, acho que vou ter que pensar em outra coisa.
- Me desculpe ! Não queria estragar seus planos, mas estou planejando essa enchente deste a semana passada. Meus arcanjos já foram mandados para seus postos, não tenho como cancelar.
- Tudo bem. Vou aproveitar sua enchente e fazer com que algumas casas caiam.
- Ótimo !!! Gostei de sua idéia. Como provação derrubarei alguns postes e deixarei as pessoas na escuridão. Quero ver se eles blasfemarão pela falta de energia elétrica.
- O Senhor tem uma imaginação divina !!! Vou providenciar que os postes caiam em cima de carros e que os fios fiquem submersos para que as pessoas sejam eletrocutadas.
- Farei com que a urina dos ratos contamine as pessoas com leptospirose. Quero ver se eles blasfemarão por causa da doença.
- Eu contaminarei os medicamentos para que os doentes socorridos morram envenenados.
- Hummm…Acho que para esta semana está bom, que acha ?
- É, acho que sim…
- Você acha que com isso os homens reconhecerão o poder divino ?
- Sei não, ultimamente eles andam colocando a culpa de tudo numa tal de Marta…
- Quem é ela ?
- É a prefeita de uma cidade da Bolivia.
- Lembro dela, foi a minha provação No. 2.987.987.223.669.890.345.234.567.Lembro que na época pensei : "Quero ver se eles blasfemarão por causa da prefeita". E na semana que vem que faremos ?
- Esta semana enchente…semana que vem pode ser uma sêca. Uma que dure uns dois ou três meses, assim podemos tirar uma férias…que acha ?
- Ótimo. Quero ver se eles blasfemarão por causa da sêca…


Conclusão: Se Deus e o Diabo tivessem mais o que fazer a terra seria o Paraíso.

Escrito por Escrito por Zanni às 09h09
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07/03/2004


Fábulas que acontecem.

O Chefe, o Gerente e a Faxineira.

Era uma vez um canguru. Como não gostava da vida na Austrália resolveu mudar para Africa.Em pouco tempo conseguiu emprego numa tradicional empresa africana.
Um belo dia seu chefe, um elefante africano com enormes presas de marfim, o chamou em sua sala ( a sala do chefe ) e disse :
- Caro George ( esse era o nome do Canguru ), como o senhor sabe nosso antigo gerente foi transferido e estamos com a vaga disponivel, o senhor está interessado ?
- Claro que estou !
- Então o senhor vai começar na nova função amanhã.
O canguru saiu da sala aos pulos ( os pulos não eram de alegria é que o canguru caminha pulando ).
Com o novo cargo veio o aumento de responsabilidade, e um dia enquanto George estava ocupado com suas planilhas, Flora a faxineira, uma pequena formiga loira, começou a passar aspirador na sala. Como o aspirador fazia muito barulho George falou em voz alta “ Flora, desliga esse aspirador que está me atrapalhando…”. Flora se sentiu ofendida achando que George havia gritado com ela.
Um elefante chefe era uma coisa que inspirava respeito, todos faziam seu serviço direitinho, a simples idéia de levar “uma comida de rabo do chefe” apavorava todos funcionários. Todos menos um : “Flora” . Todos nós sabemos que nas fábulas as fomiguinhas sempre são atraidas pelos elefantes e nessa fábula a estória se repete. A noite, na cama, a formiguinha falou para o elefante :
- Acho que termos um estrangeiro na gerencia não faz bem para a imagem de nossa tradicional empresa. Tenho uma amiga girafa que era gerente de uma empresa concorrente da nossa que está desempregada.
No dia seguinte o elefante chamou o canguru, falou que a empresa estava sofrendo uma reestruturação e despediu George, que novamente saiu pulando da sala.


Moral : Nunca grite com uma mulher em seu serviço, você nunca sabe para quem ela está dando.

Escrito por Escrito por Zanni às 07h05
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A Mensagem

Domingo estava sozinho em casa e resolvi ir ao Shopping. O dia estava ensolarado.
Não havia muitos carros nas ruas.
Chegando lá, fiquei caminhando por vários minutos. Sentada em um banco , uma senhora. Vestia um vestido branco e antigo. No pescoço um colar vermelho que combinava com os grandes brincos e o baton. Muito perua para o meu gosto. Ela sorriu para mim. Virei o rosto para o lado e continuei caminhando. Mais para frente, em outro banco, note